Opinião

A propósito do Centenário de António Agostinho Neto

Editorial

Parece passar despercebido o conjunto de actividades que visam celebrar, com toda a dignidade merecida, o Centenário do nascimento do Dr. António Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola, que se vai observar em Setembro.

11/05/2022  Última atualização 06H05

Na verdade, há uma comissão criada para acompanhar e dirigir todos os actos que deverão culminar com a festa do Centenário do nascimento do primeiro Presidente, uma realidade, protagonismo e feitos que precisam de ser amplamente divulgados. Nunca é demais referir que, na perspectiva de celebração dos 100 anos de Neto seria de todo importante que houvesse mais visibilidade, divulgação e feitos, ao lado de outras iniciativas como por exemplo a reedição das obras do Poeta Maior. 

Variadas actividades estão em andamento e uma das iniciativas memoráveis, da parte do Executivo constou já a colocação da efígie do estadista e poeta, que "proclamou perante África e o mundo” a Independência Nacional, na moeda nacional.

Lembrar o Presidente Neto constitui uma atribuição nobre na medida em que deixou um legado que deve continuar a inspirar os angolanos, baseando-se na ideia imortalizada pelo slogan " o mais importante é resolver os problemas do povo”.

Nascido na localidade de Kaxicane, província do Bengo, filho do pastor metodista Agostinho Pedro Neto e da professora primária, Maria da Silva Neto, o primeiro Presidente de Angola notabilizou-se desde muito cedo pela forma como se  aplicava e se dedicava aos estudos, tendo concluído o então Liceu Salvador Correia, hoje Escola Mutu ya Kevela, o equivalente ao Ensino Médio com distinção.

Cedo testemunhou, seguramente, as condições draconianas em que as populações da região natal viviam, em plena era colonial, razão pela qual o sentimento nacionalista, as sementes de revolta e a sensibilidade para com os problemas dos povos autóctones passaram a falar mais alto na personalidade de Neto. Daí a inspiração poética que, traduzida na copiosa produção literária, com todo o  lirismo interventivo, que se universalizou com os fins e visão nele incorporados, legou-nos a monumental obra poética que precisa de continuar a ser estudada.

Neste ano em que se vai celebrar o Centenário do nascimento de António Agostinho Neto, nada do que se refere aos actos do referido evento deviam passar despercebidos atendendo a dimensão política, diplomática, humanista e poética de Neto.

O primeiro Presidente de Angola procurou sempre a unidade do povo angolano, nunca tendo descartado a possibilidade de em nome da paz e estabilização de Angola falar com os adversários em plena Guerra-Fria.

A viagem histórica que fez ao Zaíre de Mobutu, o não alinhamento que abraçava e a visão pan-africanista que o levava a encarar como nossos os desafios de outros povos, apenas para mencionar estas facetas de Neto, lembram as palavras do poeta quando disse que "as minhas mãos colocaram pedras nos alicerces do mundo, mereço o meu pedaço de pão". De facto o Presidente Neto merece o "seu pedaço de pão", traduzido, obviamente aqui no mérito e reconhecimento pelo papel incontornável que teve e tem na construção de uma Angola una, pacificada, desenvolvida e voltada para resolver os problemas do povo.    

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