Opinião

A produção nacional e as empresas angolanas

Um dos grandes problemas que muitas empresas nacionais enfrentavam e enfrentam é não poderem ver o que produzem a ser consumido pelo mercado interno, em virtude de em Angola haver potenciais consumidores que têm preferência em importar produtos de diversa natureza, mesmo nos casos em que podem adquiri-los no país.

21/11/2019  Última atualização 09H20

Há empresas que, mesmo na actual situação de crise, estão a produzir bens e a prestar serviços variados, mas têm dificuldades de encontrar clientes internamente, por razões diversas, o que em muitos casos não tem nada a ver com a qualidade dos seus produtos e serviços.
Foi bom saber que as Forças Armadas Angolanas (FAA) vão adquirir bens de produção nacional, o que pode contribuir para alavancar muitas empresas angolanas, a julgar pelo elevado volume de mercadorias que as FAA podem adquirir.
Havendo recurso a bens produzidos por empresas angolanas, isso vai fazer com que estas unidades produtivas possam manter-se no mercado, não correndo risco de irem à falência.
Supõe-se que as necessidades em bens e serviços das Forças Armadas sejam elevadas, o que pode beneficiar muitas empresas, pequenas e médias, em particular, que poderão desenvolver os seus negócios com menos preocupações e, também, para os trabalhadores, os quais não terão de recear despedimentos.
Por via do consumo interno de bens e serviços, é possível, também, dinamizar a actividade económica e era bom que todas as instituições do Estado adquirissem bens produzidos por empresas nacionais. Não faz sentido que se continue a importar produtos que podem (e estão a) ser produzidos em Angola. Deve-se importar apenas aquilo que nós não temos capacidade de produzir em Angola. Já se chegou a importar produtos agrícolas doutros países, quando tínhamos e temos terras férteis para os produzir.
Angola já exportou no passado alimentos para várias partes do mundo, como a banana e o peixe seco, para só citar estes dois produtos. É possível voltarmos a produzir em grande quantidade para abastecer o mercado interno e para exportar. Os nossos empresários estão aí, e, se forem ambiciosos, no bom sentido, vão poder avançar para projectos produtivos que lhes permitam expandir os seus negócios. Se tivermos empresas sólidas, que possam até diversificar os seus negócios, é todo o país que fica a ganhar, em termos de emprego, produção e crescimento económico.
Que haja a cultura de consumir o que se produz no país e que se acabe com a ideia de que só o que é estrangeiro é que é bom. É importante que se dê a conhecer o que as empresas angolanas fazem em diferentes ramos de actividade, para que os potenciais consumidores possam saber que há alternativas à importação de bens.
Que as nossas potencialidades sejam exploradas pelos filhos da nossa terra que abraçaram a actividade empresarial. Que a produção das suas empresas seja consumida internamente, para que possam realizar a sua actividade produtiva sem sobressaltos. Se não venderem o que produzem, não terão retorno para continuarem a produzir.


 

 

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