Opinião

A primeira visita a Angola do Príncipe Harry

Esta semana, Sua Alteza Real o Duque de Sussex,o Príncipe Harry, visita Angola. Enquanto estiver no Huambo, ele irá refazer os passos da sua mãe, a Princesa Diana, que caminhou de forma emblemática há mais de 20 anos ao longo de um verdadeiro campo minado. O Duque verá a área que outrora era um campo cheio de minas perigosas, agora é uma comunidade próspera, como resultado do trabalho meticuloso e perigoso feito por especialistas em desminagem.

26/09/2019  Última atualização 07H17

A primeira visita oficial de Sua Alteza Real o Duque de Sussex a Angola acontece numa altura em que as relações entre o Reino Unido e Angola estão a desenvolver-se numa parceria ampla e profunda. Uma parceria baseada na confiança e no respeito mútuos. O Reino Unido pretende apoiar o processo de reforma de Angola e com ele a sua ascensão à prosperidade sustentável. Existe ainda um longo caminho a percorrer, mas potencialmente muito mais a ganhar para ambas as nações.
A visita do Duque a Angola centra-se em algumas questões importantes, tais como: a desminagem e a sua contribuição essencial para a segurança e a prosperidade públicas, mas também como uma contribuição importante para a conservação e a protecção do ambiente, preservação de espécies indígenas e no desenvolvimento do ecoturismo. Além disso, o Duque verá o progresso que Angola está a fazer para alcançar o seu compromisso sob o Tratado de Proibição de Minas de se tornar um território livre de minas terrestres até 2025.
Na qualidade de embaixador da juventude para a Commonwealth, tenho certeza de que o Duque também encontrará oportunidades para destacar os benefícios das iniciativas da Commonwealth e de incentivar Angola a fazer uma solicitação formal de adesão.
O Reino Unido contribui para vários programas em diferentes áreas de acção em Angola. A UK Aid (ajuda humanitária Britânica) financia o trabalho de instituições Britânicas e internacionais de desminagem, como a The HALO Trust, Mines Advisory Group (MAG) e Norwegian People's Aid (NPA), que em conjunto, ajudaram a desminar 15 milhões de metros quadrados em Angola desde Setembro de 2018, tornando o território seguro para comunidades, agricultura e novos negócios. Também capacitou e formou mais de 35.000 pessoas sobre os perigos que as minas e o material bélico não deflagrado representam.
Através deste projecto, a UK Aid disponibiliza emprego qualificado para pessoas em áreas remotas, distantes da cidade, onde as oportunidades de emprego permanecem muito limitadas. Também se concentra na formação de mulheres para a desminagem, demonstrando assim que as mulheres angolanas podem ter o poder de desempenhar papéis cruciais em benefício das suas comunidades.
O desejo do Reino Unido é colaborar com Angola para atingir os objectivos do país de um modo funcional e que permita, ao mesmo tempo, alcançar consistência com as melhores práticas e os padrões internacionais. O Reino Unido identifica benefícios mútuos ao apoiar a diversificação e a reforma económica de Angola, para que as oportunidades para os negócios britânicos aumentem, contribuindo para uma melhoria constante nas condições de vida de todos os angolanos.
Para esse fim, no ano passado, a Agência de Crédito à Exportação do Reino Unido, a UK Export Finance, comprometeu 650 milhões de libras para apoiar projectos de saúde, agricultura e energia em Angola. Esse valor do apoio da UK Export Finance no último ano fiscal é equivalente a 75 por cento do seu financiamento total para a África. Maior acesso para saúde, segurança, energia e fornecimento sustentável de alimentos desempenharão um papel integral no futuro crescimento económico de Angola. A experiência do Reino Unido, sempre que possível apoiada pelo UK Export Finance, pode desempenhar um papel directo e importante na aceleração do desenvolvimento em Angola.
Além disso, o Reino Unido albergará a Cimeira Africana de Investimento,em Londres, no dia 20 de Janeiro de 2020. A cimeira será para um grupo selecto de países africanos, incluindo Angola, que demonstram particular promessa como parceiros regionais e globais de negócios e investimentos. Organizada pelo Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, a cimeira reunirá empresas, governos e instituições internacionais para promover a amplitude e a qualidade das oportunidades de investimento em toda a África. Também apoiará a criação de empregos no continente e o desenvolvimento económico da África, ajudando a construir uma forte parceria entre o Reino Unido e a África para mútua prosperidade. A cimeira será um marco fundamental para alcançar o objectivo do Reino Unido de se tornar o maior investidor do G7 em África até 2022, reflectindo o compromisso nacional de uma nova parceria com a África baseada na prosperidade mútua e no investimento para um crescimento económico sustentável a longo prazo, intimamente ligado a soluções favoráveis ao clima.
Através de suas contribuições para organizações internacionais que prestam assistência a Angola, o Reino Unido já está a ajudar o país a lidar e a adaptar-se às mudanças climáticas, planeando e desenvolvendo uma melhor infra-estrutura de água para permitir defesas de inundações mais resilientes, ajudando a proteger os meios de subsistência e enfrentando as ameaças à vida selvagem e ao ambiente. A UK Aid está a ajudar mais de 20.000 pessoas no Distrito de Calai, no Sul do país, propenso a secas, a ter acesso a água potável e saneamento e a tornar-se mais resilientes aos impactos das mudanças climáticas.
No próximo ano, o Reino Unido sediará a Cimeira de Mudança Climática da ONU, reunindo o mundo em Glasgow para demonstrar a sua liderança nessas questões cruciais. O Reino Unido tem uma história impressionante para contar: a Grã-Bretanha foi o primeiro país a criar uma legislação para acabar com a sua contribuição ao aquecimento global, a fim de deixar o ambiente num estado melhor para as gerações futuras. Além disso, a abordagem inovadora do Reino Unido quanto a energia verde, à medida que a produção de petróleo no Mar do Norte diminui, e tecnologias verdes como veículos eléctricos e energia renovável ajudarão a liderar o caminho. O Reino Unido quer compartilhar a sua experiência com parceiros internacionais porque esse desafio ambiental global exige uma acção internacional concertada.
Na Assembleia-Geral da ONU em Nova Iorque nesta semana, o secretário dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, discursará juntamente com a advogada de direitos humanos e enviada especial do Reino Unido, Amal Clooney, sobre a nova coligação de liberdade de imprensa que o Reino Unido estabeleceu com o Canadá. Após a conferência sobre a liberdade de imprensa, em Londres, em Julho deste ano, o primeiro grupo de 26 países assinou um compromisso de proteger as liberdades de imprensa nos seus próprios países, repudiando abusos e defendendo jornalistas oprimidos em todo o mundo. Amal Clooney está a convocar um painel de especialistas jurídicos de alto nível para aconselhar os países sobre como fortalecer as suas protecções legais para jornalistas, com o objectivo de criar leis nacionais que protegerão os jornalistas no local.
Além disso, o Reino Unido criou um Fundo Global de Defesa da Mídia apoiado por um financiamento de 3 milhões de libras do Reino Unido. Trabalhando com a UNESCO, o fundo treinará jornalistas, ajudará a mantê-los seguros e prestará assistência jurídica em alguns dos locais mais perigosos em que os jornalistas trabalham - seja reportando sobre os talibãs no Afeganistão ou rastreando a violência de cartéis no México. Em Angola, o Reino Unido aspira a trabalhar com as ONG, activistas da sociedade civil e instituições governamentais para fortalecer a estrutura da liberdade de imprensa e apoiar jornalistas que operam no país.
Portanto, é nesse cenário dinâmico de mudança em Angola e crescimento nas relações Reino Unido-Angola que Sua Alteza Real fará a sua primeira visita oficial a este país e verá, por si próprio, o futuro brilhante que pode surgir onde coincidem nossos interesses comuns.

* Embaixadora da Grã-Bretanha em Angola

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