Opinião

A pré-campanha eleitoral entrou em modo “stand by”

Filomeno Manaças

A pré-campanha eleitoral está morna, praticamente em modo “stand by”, e as atenções estão maioritariamente viradas para outros assuntos da agenda doméstica, como os esforços para baixar o preço da cesta básica, com alguns a registarem uma promissora redução do custo, mesmo não sendo ainda significativa, numa sinalização de que é possível.

12/11/2021  Última atualização 06H35
Os dois principais partidos da nossa praça, que têm vindo a animar a vida política, estão mais concentrados a olhar para dentro de si mesmos. O MPLA vai a congresso, o seu oitavo ordinário, e do que aí resultar vai se poder tirar as ilações sobre como pretende encarar os próximos tempos, ou seja, a disputa das eleições gerais e o mandato de governação.

A UNITA, por força do Acórdão 700/2021, do Tribunal Constitucional, produzido na sequência de uma acção judicial interposta por militantes seus, que impugnaram a eleição de Adalberto Costa Júnior para a presidência do partido, devido a irregularidades face ao que a lei estabelece, mormente em relação à dupla nacionalidade, está remetida ao processo de organização, de novo, do seu XIII Congresso, porque anulado o que deu origem a toda a situação que vive agora.

O partido fundado por Jonas Savimbi está, agora, mergulhado numa reflexão profunda e, como era de esperar, nessas situações, com opiniões divergentes sobre a melhor maneira de se encaixar no espírito do acórdão do TC.

Adalberto Costa Júnior volta a apresentar-se como candidato a presidente, num congresso que, em princípio, está aprazado para ter lugar de 2 a 4 de Dezembro, mas que notícias dão conta que pode não acontecer nessa data. É ao nível da cúpula do partido do "galo negro” que reside a expectativa em relação aos resultados que a reflexão profunda vai produzir.

Ao acolher Isaías Samakuva como membro do Conselho da República, o Presidente João Lourenço disse, sem rodeios, desejar que o líder reconduzido "viesse para ficar”. O recado estava dado. Embora nalguns essa perspectiva tenha suscitado comentários críticos, a verdade é que o Presidente não estava proibido de o colocar.

Em política, a questão ética, nomeadamente, o limite a que se deve circunscrever uma intervenção, deve ser vista também no plano proporcional ao que o adversário se inscreve ou obriga a outra parte a manifestar-se. Só uma visão de conjunto dos actos, e não de modo isolado, permite uma compreensão abrangente daquilo que foi o recado deixado pelo Presidente da República.

Tratou-se claramente de um acto pensado, que, apesar de ter sido repudiado, teve repercussões no seio da UNITA, porque não foi ignorado. Toda esta situação coloca o ambiente político em "banho maria” e, aproximando-se o Dezembro, é bom que assim seja, ficando entretanto no ar a expectativa de ver como as peças se vão movimentar em 2022, um ano decisivo para se conhecer muito do que as formações políticas têm para oferecer ao eleitorado como proposta de governação e, obviamente, o que o Executivo tem como balanço de quatro anos de actividade pontilhada pela pandemia da Covid-19.

As dificuldades por que passa o país convocam-nos a fazer de Dezembro um mês especialmente dedicado à solidariedade humana. Desde que apareceu a Covid-19, as coisas agravaram-se em todo o mundo. Situações que esperávamos ver melhoradas foram-se agravando paulatinamente, por força das restrições a que a pandemia nos obrigou.

As bases ou projecções que tínhamos como ponto de partida foram seriamente afectadas, desarticuladas por um novo quadro que se instalou e para o qual ninguém estava preparado, nem mesmo as economias mais desenvolvidas.

O mundo parte quase que do zero para a reconquista de muito que já tinha alcançado. É o refazer, é o reconstruir, das almas, do espírito, das sociedades, das economias. Nestes tempos conturbados, mais do que apontar o dedo, é para a acção que somos chamados. Acção que - reconheça-se - já tem sido desenvolvida. Várias campanhas já estiveram em marcha.

Outras precisam-se!
O que é evidente é que elas, por si só, face à descomunal proporção dos problemas que a pobreza atingiu, não são suficientes para debelar todas as situações. Resulta que é questão a ser resolvida com intervenções estruturantes e de médio e longo prazo. Que exige que o Estado faça a sua parte e que cada um de nós também a sua.

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