Opinião

A Polícia Nacional

A conversa gravada entre o comandante e o subordinado, ligados a uma unidade da Polícia Nacional, num dos bairros de Luanda, que vazou para redes sociais, embora seja um caso pontual, inquieta a alguns e prova a outros o que eventualmente tem sido um procedimento recorrente.

16/11/2021  Última atualização 09H05
Ainda bem que a Polícia Nacional, oportunamente, pela voz do seu porta-voz em Luanda, tal como ouvido pelo Jornal de Angola, fez saber que corre internamente um inquérito para apurar responsabilidades sobre a alegada troca de palavras entre o comandante de esquadra e o chefe da administração e serviços.


Os problemas que afectam negativamente a Polícia Nacional, insistimos, embora pontuais  e devidamente enquadráveis ao contexto em que ocorrem, precisam de ser esclarecidos, resolvidos de maneira que a corporação mantenha intacta a imagem e o bom nome que tem a preservar.


Esperemos que, para bem da verdade e da preservação do bom nome e imagem da Polícia Nacional, o inquérito aberto, para o caso do comandante e do subordinado, seja efectivamente conclusivo e que se apurem todas as responsabilidades.


A Polícia Nacional não precisa de conviver e permitir que no seu seio existam elementos que pretendam regredir em termos de observância dos padrões comportamentais do polícia e de tudo o que está associado à realidade de ser agente, oficial e funcionário civil da Polícia Nacional.


São muitos os problemas que enfermam hoje a corporação, que precisam rapidamente de serem resolvidos, ao menos esclarecidos para que a opinião pública reforce a aproximação, a colaboração e a confiança.


Há muito trabalho a fazer porque, definitivamente, os desafios são enormes, na medida em que todos os dias somos confrontados com situações que merecem uma abordagem mais consentânea com o que se está a passar. Sabemos que, ao lado da realidade constante da gravação entre o comandante e o subordinado, existem outras que também não abonam ao bom nome da corporação, relacionadas, por exemplo, com alegações generalizadas de que pessoas detidas acabam soltas a troco de dinheiro nas esquadras.


Tais alegações, partilhadas nas redes sociais, transmitidas em programas de televisão, como recentemente fê-lo o "Fala Angola”, da cadeia TV Zimbo e que para a maioria das pessoas em Luanda, a ideia de que se cobra valores para soltura de detidos, em várias esquadras, é uma realidade.


Ainda assim, acreditamos  que a Polícia Nacional vai ultrapassar todas estas situações conjunturais que, de alguma forma, afectam a sua credibilidade e imagem, nem que para isso, como defende o comandante-geral, tenha de se livrar de elementos que mancham o bom nome da instituição, como tem feito de tempos em tempos.


Por causa de uns poucos, sejam agentes ou oficiais, oficiais subalternos, superiores ou mesmo comissários, toda a instituição conhecida como Polícia Nacional não deve ser associada aos excessos de tais elementos , cometidos de forma individual ou concertados.

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