Economia

A nova nota do Kwanza deve exercer as três funções básicas

Dezasseis dias depois do lançamento da nova Série de 200 kwanzas em Angola, a curiosidade de algumas pessoas em ver pela primeira vez a nova nota de 200 kwanzas da série de 2020 mantém-se. A questão que se coloca é quem de facto já a viu. Há quem diga existirem, por enquanto, poucas cédulas, mas alguns defendem ser ainda cedo para as termos com muita regularidade nas mãos das pessoas, ou retiradas dos multicaixas.

14/08/2020  Última atualização 11H34
Kindala Manuel | Edições Novembrodr

Pessoas que já a tiveram enaltecem a condição de durabilidade, a aparente qualidade e a tendência de ser pouco vulnerável à falsificação. É o caso de Noel Gabriel. Sendo vendedor na Baixa de Luanda, no processo normal de compra e venda, já o caiu às mãos algumas novas notas de 200 Kwanzas. Alegou ser relativamente mais pequena, forte e bonita, enaltecendo a imagem paisagística das Pedras Negras de Pungo Andongo.
Para ele, esta foi bem pensada e concebida. “ O Governo pensou muito bem. A nota antiga era muito fácil de ser falsificada. Além disso, tinha pouca segurança até para guardar era preciso ter cuidado”. Agora esta nova, enalteceu, “é completamente diferente”.

Mas, mostrou-se céptico de que já haja muitas destas novas cédulas no mercado, pelo que, disse, havendo poucas, é altura de as colocar mais porque se precisa ter mais contacto e estar preparado para receber as outras que ainda faltam entrar em circulação. “ É preciso mais dinheiro novo a circular, porque, avançou, “acabou por ser bem recebido entre nós”. Diz condenar a postura inicial de certas pessoas que forçavam a destruição da nota, simplesmente para testarem se esta era mesmo durável e plástica.

Preocupada também terá ficado Rosa Fernanda quando soube que muitos forçavam as notas só para compreenderem se ela rasgava ou não. Pelo que vê ultimamente, disse, “esta prática parece terminar”. Ela vende água mineral na baixa da cidade de Luanda. No dia do lançamento, recebeu o primeiro cliente com a nova nota e contou que não lhe foi fácil dar como troco. “Eu perdi 800 Kwanzas só porque rejeitei entregar os 200 novos que recebi. Quis mostrar à família lá em casa. E não vendi as 6 garrafas que o comprador quis”.

Tudo isto por quê? Porque a achou “ bonita”. Elevou alto a apreciação. “Parece o Euro. Gostei”. Para ela, é uma nota sem confusão e enalteceu o facto de ter apenas um rosto, uma figura, a imagem do primeiro Presidente da República.
Entretanto, diz querer muito que o novo dinheiro tenha valor. “Deve saber transmitir conforto nos nossos bolsos”. Quis dizer que deve exercer as suas três funções básicas: servir como instrumento de trocas. A priori, função primordial da moeda, visto que ela é produzida para ser um mecanismo de facilitação das trocas entre os diversos agentes da actividade económica.

Como denominador comum de valores pois, por meio da moeda (no caso, o nosso Kwanza) tem de ser possível comparar os valores de diferentes mercadorias. Tudo na nossa sociedade, que é objecto de compra e venda, tem o seu valor quantificado em unidades monetárias. Até mesmo o PIB, que mensura a produção total de bens e serviços ao longo de um ano, é quantificado em unidades monetárias.
Como reserva de valor, ou seja, e lê-se, a moeda também pode cumprir esta função, embora ela não cumpra essa função de maneira ideal. Quanto maior for a inflação de um país, mais rapidamente a moeda perde valor; consequentemente, pior será a sua capacidade de reserva de valor. Porém, mesmo assim, pelo facto de ter liquidez imediata, ou seja, por sua capacidade de ser universalmente aceite e trocada por outro produto, as pessoas decidem manter parte de sua renda na forma de moeda.

Resumindo as três funções, moeda como meio de troca: intermediário entre as mercadorias; como unidade de conta: ser o referencial das trocas, o instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas; e como reserva de valor: poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza. No fundo, fazendo uma interpretação extensiva da advertência da nossa entrevistada, é quanto pede para que se possa considerar e valorizar a nova nota da “Série 2020”.

É o reforço que fez o motoqueiro João Kiala, ao defender a necessidade de se valorizar a moeda mas quer também que haja maior cuidado por parte dos usuários da nova série. “ Este dinheiro representa o surgimento de uma nova nação. Agora todos nós devemos cuidá-lo. Sugiro que as autoridades tomem medidas contra aqueles que tentam destruir”.

A jovem Teresa Catumbo conta que até agora só ouviu falar. Ainda não viu a nota mas alega estar satisfeita com o que se diz dela. A cidadã Domingas Sandra Sebastião já a viu e enaltece a qualidade. Para ela, “não deixa nada a dever as de outros países”. Disse ainda que “esta série tem característica diferente e espelha as culturas de todo o país”. Reforça achando que “a medida do BNA foi muito boa”.

A preservação do valor da moeda

A preservação do valor da moeda é tida como imperiosa, enaltecendo as características de segurança das notas, com vista a que as mesmas sejam mais protegidas sendo agora mais fácil verificar a sua autenticidade, segundo informações do Banco Nacional de Angola.

Daí, razão que está na base de colocar em circulação as novas notas do Kwanza da “ Série 2020”, com cédulas de 200, 500, 1 000, 2000 e 5000 Kz. Esta nova série, escreve-se, responde à necessidade de serem introduzidos aprimoramentos dos dispositivos de segurança em todas as notas, bem como de se alterar o substrato das mesmas para polímero.

Recentemente, durante o lançamento da nota de 200 Kwanzas, uma fonte do BNA, descrevendo-as, avançouque as notas da Série 2020, têm como principal característica comum a inscrição “Banco Nacional de Angola”.

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