Opinião

A nossa Justiça

O julgamento do “caso Lussati”, que envolve militares e funcionários civis ligados à então Casa Militar do Presidente da República, desde há algum tempo redenominada Casa Militar, começou ontem em Luanda no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda.

29/06/2022  Última atualização 08H55

Contrariamente ao que várias vozes insinuavam, algumas agoirentas ao ponto de ligar, incompreensivelmente, o julgamento ao investimento estrangeiro, teve início e constitui mais um exemplo de como as instituições do Estado pretendem ir até às últimas consequências com o combate contra a corrupção. Não há nada a esconder e apesar de numerosas inquietudes, que não se justificavam, o "Caso Lussaty”, como se convencionou chamar o processo judicial que envolve mais de quatro dezenas de oficiais e civis ligados à então Casa Militar é apenas mais um caso.

Toda a sociedade, naturalmente, acompanha com algum interesse o processo judicial que começou ontem em Luanda e que poderá prolongar-se por semanas e meses ou eventualmente anos, em que se pretende que sejam esclarecidos em que medida o Estado acabou ser lesado.

O combate contra a corrupção continua, não abrandou e vai prevalecer, como tinha reafirmado o Presidente da República, aquando da conferência de imprensa que tinha concedido aos órgãos nacionais.

Quando questionado sobre a suposta selectividade ou o eventual abrandamento das acções judiciais contra o fenómeno da corrupção e impunidade, o Presidente da República discordou que o combate esteja a ser selectivo e que o mesmo tenha conhecido supostamente algum abrandamento.

E na altura tinha salientado que um dos processos que iria começar  nos próximos dias seria do caso despoletado com a chamada "Operação Caranguejo".

Sabe-se que se encontram arrolados 49 acusados, entre oficiais superiores e funcionários civis da Casa de Segurança da Presidência da República, num universo de mais de 200 declarantes, entre oficiais generais, uma realidade sem precedentes nos últimos trinta anos. Eis a razão para o Presidente ter lembrado que, há dada altura, a Justiça  "andou atrás apenas dos ladrões de galinhas” e que "era impensável que determinadas figuras se pudessem sentar na barra dos tribunais", exactamente ao contrário que sucede agora e detende a suceder.

Quando no início do mês de Junho o Chefe de Estado concedeu a conferência de imprensa tinha feito referência de que o caso que envolvia figuras da então Casa Militar e hoje Casa de Segurança do Presidente da República "não estava esquecido" e, mais importante, tinha prometido que, relativamente ao andamento e desfecho, "seja o que Deus quiser".

Logo, mais do que continuar-se a pôr a prova determinação as instituições judiciais nesta fase em que toda a sociedade deve estar moralizada para os grandes desígnios quando se trata da luta contra a corrupção, devemos todos cerrar fileiras contra um mal que nos afecta a todos.

Esperemos todos que o "caso Lussaty" chegue ao fim, sejam assacadas as responsabilidades, inocentadas as pessoas que nada, efectivamente, tenham que ver com o assunto e que a Justiça angolana saia sobretudo reforçada.

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