Entrevista

“A nossa cultura de consumo, quer seja das famílias, quer seja do Estado, ainda carece de uma remodelação”

Temos de encarar a poupança não como um luxo, mas como uma despesa. Se por exemplo a pessoa tem uma despesa com cinco itens, acrescenta o sexto (poupança), mas esse sexto deve ser o primeiro gasto

09/05/2022  Última atualização 07H15
© Fotografia por: DR

A nossa economia pouco funciona com base no crédito. Se há crédito, é sempre preferencial (por qualquer indicação ou porque o banco quer fazer). Como medir esse esforço do Governo no crédito habitacional?

O crédito normalmente funciona como um mecanismo de aquisição de recursos financeiros alheios, com o compromisso de reembolsar de forma parcelar o montante principal acrescido dos juros, em um prazo previamente determinado. Por outras palavras, o crédito é aquilo que seria a poupança futura de um agente, que está disponível hoje, através de uma instituição financeira como um banco por exemplo. Importa referir que se não houver poupança, dificilmente existirá crédito.

 

Mas, a economia angolana pouco funciona com base no crédito?

Devido a três factores, primeiro a taxa de juro de captação da poupança é muito baixa, em relação à taxa de juro de concessão, isto não atrai os agentes a pouparem e como consequência verifica-se forte escassez de oferta de crédito, desta forma, os créditos concedidos ficam associados a custos elevados. O segundo factor é referente ao risco sistemático e à alta taxa de incumprimentos de créditos, que pode ser consequência da forma como os tomadores de empréstimos são seleccionados. O terceiro factor tem a ver com o facto de os bancos reduzirem a importância das suas funções clássicas, que é a intermediação de recursos e dedicarem-se a outros negócios, como por exemplo o seguro.

 

O Governo é agora "credor” no crédito à habitação. O que isso representa?

O crédito habitacional anunciado pelo Governo, representa a disponibilidade de mais uma fonte de financiamento, que poderá permitir a satisfação de uma necessidade que tanto anseiam as famílias, que é a obtenção da casa própria. Quanto à pertinência do referido crédito, devo dizer que foi necessário abrir a referida linha de financiamento para obtenção de residência. Mas, olhando para o contexto, julgo não ser uma decisão sustentável, porque não satisfaz as reais necessidades da economia no contexto actual, visto a nossa economia carecer de fortes mudanças estruturais, ou seja, devíamos pensar, primeiramente, em conceder crédito à economia real e fomentar à produção, aproveitar os talentos dos angolanos e incentivar o empreendedorismo e, deste modo, daríamos mais um passo para o combate ao desemprego e à pobreza.

 

Por que não se dá prioridade ao crédito à economia?

Tanto o crédito habitacional, como o crédito à economia têm o seu grau de importância. O crédito habitacional pode satisfazer a necessidade microeconómica, relativa à facilitação de obtenção de recursos financeiros para a aquisição de um bem imóvel, que desde já, aconselho a adesão, principalmente por ter um baixo custo, ou seja, apenas 7,00 por cento. Enquanto o crédito à economia real pode conduzir à satisfação de necessidades macroeconómicas e apoiar a desejada mudança estrutural na economia.

 

Há muito os economistas falam no crédito diversificado à economia e nada é feito...

O que entendo que deve acontecer de imediato, é o fomento dos programas de inclusão financeira, proporcionar oportunidade equitativa no acesso ao sistema financeiro para as famílias e as empresas, particularmente as microempresas. A efectividade dos programas de substituição da importação por exportação é condicionado, em grande parte, pelo acesso aos recursos financeiros. Não é por acaso que o Banco Mundial, o grupo dos G-20 e países, como a China e Índia, nas suas agendas dão prioridade aos programas de inclusão financeira e utilizam esta ferramenta como medida para o combate à pobreza e fomento do crescimento económico inclusivo.

 

Por que é importante a inclusão financeira?

São vários, os factores que convergem para a importância da inclusão financeira. Contudo, vou mencionar apenas alguns. A inclusão financeira é importante, porque proporciona um lugar seguro para poupar, solicitar financiamento, efectuar e receber pagamentos. Permite às autoridades terem maior controlo dos recursos financeiros a circular na economia, facilita o empreendedorismo e a redução da pobreza e é uma forma de as autoridades manifestarem o seu interesse em promover a igualdade, sendo que, permite todos terem a mesma facilidade no acesso aos serviços e produtos financeiros.

 

Na eventualidade de não existir inclusão financeira?

As famílias aplicam as suas poupanças ou recursos excedentários na aquisição de bens, como terrenos, casas, animais, etc. Quando surge a necessidade de pequenas quantidades de recursos financeiros, são obrigados a venderem o bem por completo. Quero, com isso, dizer que o sistema financeiro, além de ser meio para rentabilizar os recursos excedentários, é também uma via de partilha de riqueza.

 

Estamos a falar de uma economia quase deficitária, à partida, em que maior parte das famílias recebe menos dinheiro para poupança?

O principal factor que influencia a poupança é o rendimento. Para poupar, é necessário, primeiramente, ter uma renda. Portanto, importa referir que é possível poupar com qualquer rendimento. Acontece que o montante poupado e a sua importância para o consumo futuro é condicionado pelo rendimento disponível e a quantia da poupança relativa. A poupança impõe o sacrifício do consumo actual, para incremento no futuro. Logo, isto implica que o agente económico (família, Estado e empresas) emendem a cultura de gastos, através da planificação, disciplina, definição de prioridades e objectivos. Importa realçar que, muitos não poupam, mesmo tendo rendimentos acima da média, por falta de hábito.

 

O que é preciso fazer?

Precisamos todos entender, que "os rendimentos serão sempre escassos e as necessidades ilimitadas”,e é isto que torna a economia interessante: transformar os escassos recursos, para poder satisfazer o máximo de necessidades. Importa destacar, que são as despesas que devem ser adequadas aos rendimentos e não o contrário, como tem estado a acontecer com algumas famílias. Se pretendemos mudar o paradigma e fomentar o crescimento económico, temos, primeiramente, de revitalizar o sistema financeiro, porque quem sustenta o sistema financeiro são as poupanças e não os recursos financeiros do Estado.

 

Mas temos o problema da falta de cultura de gastos no país?

De facto, a falta de cultura de gastos faz com que, muitas vezes, os recursos não sejam alocados de forma eficiente, ou seja, alocar os recursos onde realmente são necessários. No lado das famílias por exemplo, os gastos com as despesas feitas por impulso ainda dominam a estrutura de despesas. É frequente, as famílias comprarem bens que não atendem às reais necessidades e muitas vezes compram bens, porque está na moda, porque está em promoção, mesmo que estes não fazem parte da respectiva programação financeira. Do ponto de vista dos gastos públicos, muitos recursos são alocados para satisfazer necessidades conjunturais, penalizando os rendimentos e as necessidades futuras.

 

Quais são os factores que influenciam a pouca cultura de gastos das famílias?

A falta de cultura de gastos pode estar relacionada aos fracos níveis de educação financeira. Em um dos meus artigos publicado no ano de 2021, no Global Economy Journal, onde avaliámos o papel da inclusão financeira e literacia financeira sobre os indicadores de estabilidade financeira dos bancos, defendo a necessidade de complementaridade entre a inclusão financeira e a literacia financeira. Nesse estudo, fundamentámos teórica e empiricamente que fortes conhecimentos sobre os custos, retornos e os riscos associados ao dinheiro obrigam os agentes económicos a tomarem decisões mais racionais na utilização dos seus rendimentos.

 

Estamos a falar de uma sociedade em que o auto-consumo é regra?

Infelizmente, ainda é esta a nossa realidade. A cultura de consumo em Angola carece de forte remodelação, visto que as famílias, e até mesmo o Estado, efectuam despesas sem o devido respeito às prioridades e sustentabilidade dos gastos, assim como, utilizam o rendimento disponível para a satisfação das necessidades actuais, sem terem em conta os compromissos futuros.

 

O que se pode aconselhar?

Devemos satisfazer as necessidades de curto prazo sim, mas é imperioso criar estratégias e alocar recursos financeiros para as necessidades de longo prazo, que poderão servir para tornar a economia robusta e mais competitiva, com capacidade produtiva que atendam o mercado interno e, posteriormente, a exportação. Para as famílias o primeiro passo é poupar e rentabilizar as poupanças, a fim de criarem rendas extras.

 

Dada a realidade, só mesmo os que têm rendimento alto é que poupam?

A poupança não é um luxo, mas sim uma necessidade que deve ser incluída na lista das despesas, sempre que existir rendimento. A poupança geralmente é entendida como a parte do rendimento que não é consumido. Porém, é imperioso reverter este conceito, encarar a poupança como a primeira despesa a ser feita com o rendimento disponível e só depois disto deve ser realizado o consumo.

 

Há anos que o BNA "força” os bancos para a inclusão financeira das pessoas. Acha que já está a surtir efeitos?

Realmente, o BNA como principal responsável pela política monetária no país, tem consciência que a principal forma de relacionar a política monetária e a economia real é através do sistema financeiro. Deste modo, tem criado medidas que impulsionam uma maior inclusão financeira, facilitando o acesso a uma conta bancária a um custo reduzido e, em alguns casos, a custo zero. Porém, o acesso a uma conta bancária é apenas uma porta de entrada para o sistema financeiro, é importante adaptar os serviços e produtos financeiros às condições dos recém incluídos, para que não sejam apenas mais um cliente no sistema bancário.

 

No seu estudo, o que deter-mina a inclusão financeira?

Na elaboração do livro sobre os determinantes da poupança e inclusão financeira das famílias angolanas, constatámos que a principal barreira, para a poupança, é o rendimento, a composição do agregado familiar e os gastos por impulso. Para a inclusão financeira, verificámos que o custo de obtenção de uma conta bancária, a forma como os bancos atendem os clientes, especificamente os aspectos burocráticos e as grandes enchentes nas agências bancárias, a falta de instituições financeiras em alguns pontos geográficos, baixos níveis de escolaridade e a prática de actividade económica no sector informal são as principais barreiras à inclusão financeira.


Decisões económicas e políticas devem ser adaptadas ao contexto


Como enquadrar a estrutura demográfica?

Devo enfatizar que a estrutura demográfica das famílias se revelou como um factor que condiciona a poupança e a inclusão financeira. Isto indica que é importante rever a composição dos agregados familiares. Famílias com muitos membros têm maior dificuldade de gerirem os seus orçamentos. Do ponto de vista macroeconómico, a elevada taxa de crescimento populacional relaciona-se ao alto custo de infra-estrutura, maior pressão sobre a procura de bens públicos, logo, a alta taxa de crescimento demográfico pode condicionar, negativamente, o desenvolvimento. Por exemplo, em termos de Produto Interno Bruto per capita, maior crescimento da população, se não acompanhado pelo crescimento do produto, reduz consideravelmente o PIB per capita. É preciso começarmos a repensar a nossa política demográfica.

 

Relativamente ao crescimento demográfico, é  cultura africana fazer filhos como riqueza, assim como é costume censurar quem não faz filho. Como mudar esse paradigma?

As decisões económicas e políticas devem ser adaptadas ao contexto. Além disso, o ser humano é dinâmico, por isso, acredito que uma boa justificativa, alinhada ao bom incentivo e moralização da população, pode ajudar ou facilitar o controlo do crescimento demográfico. Apesar de difícil, é possível sempre moldar a forma de pensar e agir dos agentes económicos.

 

Há momentos em que a nossa economia apresenta indicadores positivos e depois nem tanto por aí e tudo fica meio baralhado. As vezes, percebe-se que a economia desabou. Qual é a percepção que tem sobre isso?

É uma realidade que nenhuma economia escapa e é este ciclo económico que torna interessante a economia. Desconheço economia que nunca tenha passado por esse processo. O ciclo económico é o período de alternância no comportamento da actividade económica, caracterizado pela expansão económica, onde as famílias sentem-se mais ricas, facilmente conseguem empregos, contrariamente à contracção, que se manifesta por fortes reduções nos níveis gerais de produção, aumento do desemprego, redução dos rendimentos e aumento da pobreza. Em geral, nos períodos de contracção económica, os governos utilizam como ferramenta a política expansionista: aumentam os gastos, reduzem os impostos e isto obriga os governos a gastarem os recursos que não dispõem, ou seja, são obrigados a aumentarem a dívida pública. É por isso que defendo a necessidade de realização de poupança.

 

As reformas não estão a surtir os efeitos desejados?

É visível o conjunto de reformas económicas em curso no país e algumas já começam a surtir efeitos. Portanto, para uma economia como a nossa, com forte dependência do petróleo e fraca produção interna, onde importamos quase tudo, o estímulo que o Governo apresenta, para estabilizar a economia, pode ter efeitos quase nulos. Portanto, o comportamento da economia dependerá fortemente de comportamentos externos. Por outras palavras, a nossa economia é bastante sensível a contágios. Quero com isso dizer, que enquanto a nossa estrutura económica estiver a depender do petróleo, que é um recurso bastante volátil, bem como de importações de produtos primários, haverá sempre variações económicas e, em alguns casos, os decisores políticos não terão ferramentas para reverter a situação de declínio, além do aumento da dívida pública.

 

Apesar das reformas iniciadas há anos, continuamos com uma economia dualista?

Sabemos que a nossa economia é dualista, existindo a interacção do sector formal e o informal. A economia informal tem servido como alternativa de emprego para a população que o sector formal não é capaz de absorver. Olhando para as características da economia angolana, em que o Estado é o maior empregador e para a taxa de crescimento da população, pensar em acabar com a economia informal sem antes reformular a organização económica, criar estratégias para rentabilização das empresas existentes, criar condições para o surgimento de novas empresas e melhorar o ambiente de negócio para atrair o investimento estrangeiro directo, é igual em pensar em suicidar a população. 

 

Como equilibrar essa balança?

Não podemos pensar em acabar com a economia informal, somente porque esta não contribui para os impostos. Importa entender que este sector é intensivo em mão-de-obra e que o sector empresarial ainda é incapaz de gerar empregos para toda a população e esta precisa de sobreviver. Precisamos sim de reduzir a burocracia na formalização de empresas, melhorar os incentivos através da redução dos impostos, aumentar a transparência, reduzir a corrupção e o nepotismo e alargar as fontes de financiamento a um custo justo, para que surjam empresas e, no longo prazo, reduzir a informalidade na economia.

 

Qual é a vantagem da evolução do preço do petróleo? 

Certamente que a evolução dos preços do petróleo se reflecte no aumento das receitas nos cofres do Estado, significando que haverá recursos financeiros em excedente, que podem ser alocados em outras necessidades. Porém, é importante ter em conta que o referido aumento pode manifestar-se no aumento dos custos de produção e nos preços, que pode afectar a gestão financeira das empresas e famílias.

 

Qual é o papel das universidades e da investigação científica na resolução de problemas sociais?

As instituições de ensino superior, além de terem a obrigação de formarem profissionais qualificados, deviam servir como suporte a tomada de decisão, participando na resolução de problemas que carecem de conhecimentos específicos e tecnologias apropriadas. O papel da investigação científica é subsidiar os decisores políticos sobre o estado do problema e possíveis soluções, no ponto de vista científico, para uma tomada de decisão mais efectiva. Importa que a produção da investigação científica e os resultados inerentes sejam neutros, apenas com a intenção de produzir informações sistematizadas, além de qualquer outro tipo de interesse.

 

Por que as pessoas não se dedicam à investigação?

Deve haver muitos factores, mas acredito que o facto da investigação científica requerer muito tempo e trabalho e ser pouco valorizada em termos de aplicação prática e remuneração do investigador, constitui um dos principais desincentivos.

 

Qual é a sua visão sobre os preços da habitação?

O mercado habitacional funciona como qualquer outro mercado, onde os preços são determinados, principalmente pela oferta e procura. Se houver muitos agentes interessados em adquirir uma residência e poucas empresas imobiliárias a ofertarem, obviamente que os preços estarão elevados. Com a entrada do Estado no mercado imobiliário, com a criação das centralidades aumentou a oferta e isso hoje se reflecte nos preços das habitações. Olhando para o nível médio do rendimento em Angola e os preços praticados na venda de imóveis, lógico que ainda é muito caro comprar uma casa. Isto também tem a ver com a estrutura de custo da nossa economia, onde as principais matérias-primas são importadas.

 

A juventude deve ou não aderir ao crédito habitação?

Como já referi anteriormente, é uma boa oportunidade para a satisfação da necessidade de obtenção da casa própria. Certamente, seria necessário um sacrifício muito grande no consumo e em um tempo bastante prolongado, para poder poupar dinheiro para a aquisição de uma habitação.

 

Em que áreas estão focados os estudos que tem desenvolvido?

De uma forma geral, o enfoque dos meus estudos é a Economia Financeira, onde abordo questões relacionadas ao desenvolvimento financeiro, estrutura dos mercados financeiros, corrupção e sustentabilidade financeira, gestão de risco e inovação financeira.

 

Quantos estudos publicou?

Já estão publicados seis artigos científicos, um capítulo de livro e um livro. Entre os artigos, 4 fazem parte da minha tese. O primeiro artigo sobre determinantes da inclusão financeira em Luanda, foi publicado no âmbito da participação na Conferência Internacional de Contabilidade e Finança-ICAFI-2020 em proceedings. O segundo artigo aborda a relação existente entre a inclusão financeira e a política monetária, dos países da África Subsariana e América Latina e Caribe, publicado no Journal African Business. No terceiro artigo, examino o efeito da literacia e inclusão financeira sobre a estabilidade dos bancos, publicado no Global Economy Journal. No quarto artigo investigamos a capacidade da corrupção em inibir os efeitos po-

sitivos da inovação financeira sobre o crescimento económico, publicado no International Journal of  Business Innovation and Research. No quinto artigo científico abordamos o efeito da regulamentação financeira sobre a inclusão financeira e competitividade no sector bancário, publicado no International Journal of  Financial Studies. No sexto artigo evidenciamos a relação entre a inclusão financeira e estabilidade financeira dos bancos, publicado no Journal of Riskand Financial Management. O capítulo do livro foi publicado na IGI GLOBAL, onde examinamos o efeito da corrupção sobre o risco de crédito e rentabilidade dos bancos angolanos.

 

Em que região geográfica são focados os seus estudos?

Para a realização dos referidos estudos utilizamos amostra dos países africanos e para sustentar as evidências comparamos sempre os resultados com amostras de países europeus, asiáticos e americanos. A ideia central foi identificar problemas comuns na minha área de investigação, em países em desenvolvimento e sugerir solução sistemáticas com base nos resultados empíricos encontrados.

 

Por que não o fez em português, para que as pessoas tivessem melhor acesso?

Uma das obrigações da investigação científica é a língua inglesa. Os artigos científicos publicados em revistas e jornais internacionais são, geralmente, publicados na língua inglesa, julgo que é pelo facto do inglês ser a língua de aceitação geral pela comunidade científica e não tinha como fugir o padrão.

 

O que acha que esses artigos deviam trazer para Angola?

A minha perspectiva era fazer uma abordagem específica para Angola. A falta de informação para um período longo, para as minhas principais variáveis de interesse, levou-me a incluir outros países africanos, obviamente com algumas características económicas em comum, de maneira que a aplicação prática para um país sirva para o outro. Os seis artigos abordam problemas que de facto preocupam a economia dos países em desenvolvimento. Falo concretamente do fraco acesso as instituições financeiras, altos níveis de incumprimentos de crédito, corrupção, instabilidade financeira dos bancos, fraco desenvolvimento e pouca competitividade no sector financeiro. Os resultados dos estudos apresentam de forma sistemática as possíveis soluções para cada problema identificado.

 

O que não conversamos, mas que gostaria que fosse aqui levantado?

O que não falamos aqui, mas que pode contribuir de forma significativa para aquilo que é o bem-estar da economia de forma geral, são aspectos muito simples e têm a ver com a complementaridade da economia, fenómenos ligados ao comportamento social. Falo concretamente de ética e moral. São fundamentos não económicos, mas que podem contribuir, e muito, para salvaguardar o bem-estar colectivo e evitar, de certa forma, o conflito de interesse entre o particular e o geral.

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