Cultura

“A Mecânica do Efémero” junta obras de quatro artistas angolanos

“A Mecânica do Efémero” é uma exposição colaborativa dos artistas angolanos Kiluanji Kia Henda, Damara Inglês, Délio Jasse, Rui Magalhães, Sofia Yala e Flávio Cardoso, patente até o próximo dia 15, na Galeria Filomena Soares, em Lisboa.

04/01/2022  Última atualização 10H05
Kiluanji Kia Henda é um dos artistas plásticos que participam na exposição em Lisboa © Fotografia por: DR
O projecto "parte da ideia de arte enquanto mecanismo que nos permite viajar por diferentes temporalidades, através de uma abordagem que muitas vezes recorre à fantasia, mas onde a imaginação se torna uma importante aliada de questionamentos históricos e sócio-políticos”, refere o comunicado de imprensa.


Fotografia, vídeo e escultura são as vertentes que contemplam as 15 artes em exibição. "Embora os discursos dos artistas convidados sejam diversos na sua abordagem e na navegação deste fluxo temporal e identitário, existe o denominador comum na sua relação com um continente onde repousam os sonhos e desvarios de fantasmas forasteiros. Existe e urge ainda criar um futuro que continua sustentado por inócuas promessas de progresso e liberdade, algo que não é exclusivo do continente africano, acolhendo também as influências de diversas linguagens artísticas e referências que constituem este trabalho conjunto, extravasando as fronteiras nacionais e plataformas continentais.”


Segundo a curadora do projecto, Gisela Casimiro, o mesmo nasceu depois de Kiluanji Kia Henda receber um convite para realizar uma exposição individual, ter preferido reunir mais artistas angolanos para uma exposição colectiva.


"Ele [Kiluanji] optou por não fazer uma exposição individual e sim convidar vários angolanos para participarem neste espaço e dando-lhes a oportunidade de mostrar o seu trabalho, o que eu acho um processo interessante de colaboração, de inclusão, de ocupação de lugar”, explicou.


Gisela é a única guineense neste projecto. O seu papel teve por base contextualizar as obras através da escrita, visto ser também escritora.


"Foi muito interessante. Eu não conhecia os artistas pessoalmente mas tinha ouvido falar do Délio Jasse e da Sofia Yala, mas não conhecia o resto dos artistas. Mas foi interessante descobrir estes novos trabalhos, essas novas perspectivas e reunir todos eles online para nos alinharmos com as minhas pesquisas e as nossas percepções”, disse Gisela Casimiro.


"Há aqui uma crítica não sobre a colonização mas mais com o que os angolanos fizeram sobre a pós-colonização, libertação e pós-libertação e como o colonialismo foi um projecto falhado mas, e de como algumas independências também foram. Então há olhar crítico sobre isso mas que também há uma desconexão com a distopia, com futuro como a peça ‘arqueologia do futuro”, disse Gisela.

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