Opinião

A maka do lixo

Quando se trata da gestão dos resíduos sólidos, andamos ainda aquém do esperado, a julgar pela conduta das pessoas, pela dinâmica das comunidades, pela ausência de uma resposta das operadoras consentânea com a produção de lixo, bem como a falta de uma legislação actual e eficaz.

20/09/2022  Última atualização 07H22

Diz-se que a que vigora até hoje está alegadamente ultrapassada, precisando-se de uma nova que, acrescida do activismo social em prol da gestão e recolha do lixo, nos poderá proporcionar mais comodidade e saúde. 

"É preciso rever, com urgência, o plano estratégico para a gestão de resíduos, em especial os urbanos”, alertou há dias o ambientalista Nuno Cruz que, se referindo à legislação,  considerou necessário um novo diploma para regular tudo o que envolva a recolha, gestão e disposição do lixo.

Mais do que uma nova legislação, precisamos, de facto, de mudar de mentalidade, de um quadro social e educativo em que  sobressaia a sensibilização junto das populações para combater o lixo nas comunidades.

Tal como reconheceu o ambientalista, quando encara a sensibilização como ferramenta vital para melhor lidar com os resíduos, Nuno Cruz disse oportunamente que "é preciso fazer um trabalho mais activo de sensibilização, com o apoio de todos, em especial das igrejas, taxistas, professores, vendedores ambulantes e organizações civis”.

Hoje, como encaram algumas vozes entendidas em questões ambientais e as ligadas aos resíduos, as comunidades estão quase que deixadas à sua sorte na medida em que dependem de si mesmas para lidar com  os resíduos sólidos. Isto a propósito do estado em que se encontra a chamada Unidade Técnica de Saneamento de Luanda (UTSL) que, ao que se diz, precisa de ser reformulada para dar lugar a um ente verdadeiramente virado para as comunidades.

O ambientalista mencionado aqui, referindo-se a UTSL, diz que "é um sector que hoje não funciona e tem muitos meios parados, enquanto as valas de drenagem continuam a acumular lixo. As medidas para se inverter o quadro têm de ser tomadas agora, para evitar problemas maiores”.

Na verdade, precisamos de um programa que envolva todos e em que todos se sintam partes no sentido de se devolver ao meio  o esperado equilíbrio entre os ecossistemas, nos quais se inserem também os seres humanos.

De facto, hoje, quando olhamos para as valas de macro e micro drenagem, bem como os esgotos, apenas para mencionar estes canais, damos conta em que pé andamos relativamente à forma como encaramos as valas. É inaceitável que nas valas, configuradas para receber águas residuais, seja depositado todo o tipo de lixo que, por sua vez, acaba indiscriminadamente no mar.

Nem as chamadas estações de tratamento das águas residuais, dispositivos existentes em alguns espaços, no entanto, inactivas, e noutras áreas completamente desconhecidas do papel e atribuições, têm desempenhado o seu papel.

A educação ambiental a nível das comunidades, das famílias e das pessoas singulares vai permitir, ainda que precariamente, reduzir o impacto dos resíduos sólidos e levar a uma consciencialização sobre a problemática do lixo. Precisamos da desconstrução da ideia de que o lixo é um problema das operadoras, das pessoas que varrem a rua quando, na verdade, é um problema pessoal, familiar e de grupo ao nível das comunidades.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião