Opinião

A maka de falta da água

Nas últimas semanas, em muitas localidades aqui em Luanda, foi notória a escassez no fornecimento de água, tendo afectado inclusive partes do casco urbano, uma realidade que constitui apenas a ponta do Iceberg, se olharmos para as outras variáveis do problema.

26/01/2022  Última atualização 04H30
Na verdade, fica sempre mais fácil reclamar-se da falta de água, um dado que também confirma que, afinal, mal ou bem o serviço tem sido prestado, mas sempre difícil reflectir em que condições funciona a EPAL e, mais importante, como impacta a dívida dos consumidores nas actividades da empresa.

A dívida dos consumidores de água, hoje estimada em milhares de milhões de kwanzas só em Luanda, com os municípios de Luanda, Viana e Talatona a liderarem a lista, é um não assunto, mas a eventual falta de água serve até para a politização do problema.

Das famílias às empresas, que, mal se vêem privadas do regular  fornecimento de água, é sempre mais fácil reclamar a falta do que abordar as eventuais dívidas que têm com a EPAL. 

É mais fácil reclamar a falta de água, mesmo nas condições em que é fornecida e não é paga regularmente. E essa realidade não nos dignifica enquanto consumidores na medida em que devíamos ganhar consciência de que para a EPAL melhorar os serviços precisamos de erradicar a anacrónica mentalidade de que "mal se paga porque o serviço é mal prestado”. Se por um lado, os consumidores nunca abdicam do fornecimento de água, mesmo nas condições em que se faz para o líquido precioso chegar a todos, por outro, não faz sentido evocar a precariedade do serviço como motivo para pagamentos irregulares ou, o que é pior, o não pagamento.

A dívida e o garimpo de água afiguram-se como duas situações que atentam gravemente contra todos os esforços para assegurar o regular fornecimento e o contínuo aumento da qualidade do líquido precioso. Trata-se de duas realidades para as quais devemos todos olhar com séria preocupação porque está em causa a existência de um bem que tem implicações directas até ao nível da Saúde Pública.

Urge mudarmos de mentalidade, regularizando as contas de água, denunciando práticas lesivas contra as ligações ilícitas, formalizando contratos de fornecimento em caso de ligação domiciliar e colaboração com a EPAL nos casos em que ocorrem rupturas das condutas, em vez da atitude passiva de mero espectador.

Há milhares de canalizações feitas em muitas localidades aqui em Luanda, no âmbito das ligações domiciliares metaforicamente denominadas de a "água do chinês”, continuam sem contratos há mais de seis anos.

Embora se possa alegar que grande parte das canalizações feitas não funcionam como era de esperar, mas ocorre perguntar porque é que ali onde a água é fornecida as pessoas não se dignam em formalizar os contratos. Porque é que não pagam regular e voluntariamente a água? E depois quando, por falta de financiamento e meios para o complexo processo de captação, tratamento e fornecimento de água, a EPAL fica impossibilitada de realizar o seu trabalho, as pessoas reclamam sem nunca as ocorrer que para o serviço melhorar o pagamento regular é uma condição sine qua non, ao lado de outras.
    

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