Opinião

A lição da Etiópia

Editorial

A lição que vem da rebelião armada dos povos da região federal do Tigray, na Etiópia, independentemente do desfecho do conflito que opõe o Governo federal liderado pelo Primeiro-Ministro, Abyi Ahmed, aos guerrilheiros da Frente Patriótica de Libertação do Tigray (FPLT), é má para o país em particular e para todo o continente em geral.

06/11/2021  Última atualização 08H35
Embora cada caso seja um caso e que as analogias, quando feitas, devem obedecer sempre às devidas reservas, não há dúvidas de que se podem retirar muitas lições.

Na Etiópia, o Governo Federal está a ser vítima de "chantagem política e militar” da FPLT, a que se juntou também um outro grupo, para imporem a sua vontade e, como indica, desmembrarem parte do território nacional.

O Governo do Primeiro-Ministro Abyi Ahmed procurou fazer apenas o que qualquer ente com poder soberano sobre todo um território faz, nomeadamente, a extensão da administração do poder de Estado.

Com insistência das autoridades do Tigray em realizar eleições locais em Setembro de 2020, à revelia do que o Parlamento federal tinha decidido, postergar a realização do referido pleito,  para todo o país, acrescido do ataque militar a uma base em que se encontravam as forças federais, não há dúvidas de que estava em causa o exercício do poder de Estado. 

O conflito militar que se seguiu, a partir de Novembro, e o estado do mesmo hoje permite, primeiro, avaliar e dar razão aos que defendem a necessidade de todo o Estado independente e soberano munir-se da capacidade de se defender e sobrepor-se diante de qualquer outro ente que se levante contra si dentro do território que controla.

A fragilidade dos Estados africanos está também na base de situações como as que testemunhamos hoje com o conflito entre o Governo Federal etíope e os grupos rebeldes, extensivamente com o que notamos na República Centro-Africana, no Mali, no Burquina-Faso, na Líbia, apenas para mencionar estes países.

O que se passa hoje na Etiópia deve servir igualmente para que aqueles que defendem, em muitos Estados africanos, a necessidade de redução significativa das despesas com as forças armadas a ponderar sobre as consequências.

Existem Estados africanos que, ao lado da diminuição expressiva do orçamento para com a defesa e segurança, aboliram o serviço militar obrigatório, transformaram as forças armadas num segmento elitista da sociedade, realidades que podem, obviamente, contribuir para uma eventual despreparação perante fenómenos como os que ocorrem hoje na Etiópia.

Acreditamos que os Estados africanos em geral devem zelar pelo contínuo apetrechamento e manutenção das suas forças armadas porque, como dizia um destacado militar, a "paz é apenas um intervalo entre a última guerra e a próxima, imaginária”.

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