Opinião

A Internet e o futuro na ponta dos dedos

Filomeno Manaças

A Internet trouxe-nos a possibilidade de sonhar com (e concretizar) coisas fantásticas. Quase mágicas. Não é que a realidade seja igual a dos contos de fadas, em que a varinha mágica tem o poder de tudo transformar, de tudo fazer aparecer. Mas, à velocidade que as novidades vão surgindo no mundo das invenções, o fantástico vai marcando o nosso dia-a-dia.

28/01/2022  Última atualização 06H55
 Olhamos para um simples telefone e o que ele era antes, há duas/três décadas, está há anos luz de ser o que é hoje. Do telefone fixo, com uma só linha, com aquele disco com os correspondentes números - daí a expressão discar o número -, aos móveis, primeiro analógicos e depois digitais, com capacidade para um ou dois chips, foram incontáveis as horas de pesquisa para criar sempre algo novo, surpreendente e capaz de arrancar do consumidor aquela exclamação de satisfação, que soltamos cada vez que estamos diante de algo fabuloso. Da utilidade à vaidade de possuir um telefone de última geração, o pensamento do homem esteve sempre dividido entre uma e outra coisa.

 O advento do ecrã táctil não foi só mais uma invenção. Veio modificar muita coisa. Com apenas um toque do dedo, é possível aceder às aplicações e realizar várias operações. Para os avanços registados no mundo das novas tecnologias de informação e comunicação, contribuíram a electrónica, a robótica, a informática, a nanotecnologia, enfim, todo um conjunto de novos conhecimentos que está a revolucionar de modo significativo a nossa maneira de viver.
 Coisas antes impensáveis são hoje possíveis de realizar.

O teletrabalho não seria possível se essas invenções não tivessem aparecido. Fruto dessas inovações, hoje é possível realizar uma intervenção cirúrgica estando uma equipa de médicos com o paciente num determinado local e outra mais experiente a dirigir a milhares de quilómetros de distância. Hoje em dia, soluções tecnológicas dessa natureza permitem a muitas empresas controlar operações que são realizadas a muitos quilómetros de distância da sede, onde se encontra a estrutura de mando.

Não espanta se amanhã formos surpreendidos por uma notícia dando conta de que "médicos robots” realizaram com sucesso uma intervenção cirúrgica, utilizando equipamentos que mapearam primeiro o paciente externa e internamente, procederam aos preparativos e, com precisão espantosa, fizeram a incisão, corrigiram a falha anatómica e suturaram com mestria o enfermo, que recuperou satisfatoriamente.

Sonho com uma Angola assim, desenvolvida, capaz de realizar esse feito, tal como está a acontecer nos Estados Unidos, na Rússia, na China, na Índia, enfim, numa série de países que estão apostados fortemente nas novas tecnologias, que estão a progredir de forma acelerada em áreas de que pouco se tem falado no nosso país.

 E tudo isso veio-me à cabeça na sequência da inauguração da plataforma "Digital.ao”, uma instituição pública onde os jovens angolanos com ideias tecnológicas inovadoras, capazes de gerar negócios, passarão a receber apoio até que os seus projectos se transformem em algo palpável no mercado, ou seja, em empresas com pernas para andar.

 Pelos prémios já conquistados em vários eventos internacionais com os seus inventos, muitos dos quais aguardam oportunidade para serem transformados em produtos comercializáveis em série, cá no país, acredito que os jovens angolanos saberão responder de forma positiva ao repto que representa o surgimento do "Digital.ao”.

Temos capacidade para inovar e fazer com que a vida seja menos penosa no país; precisamos de saber criar riqueza neste sector, que está prenhe de oportunidades de crescimento, que poderão contribuir para que a diversificação da economia ganhe também outro impulso.

 A Internet trouxe-nos o mundo fantástico, mágico. Saibamos tirar partido para que Angola dê um grande pulo em termos de desenvolvimento económico e progresso social.

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