Opinião

A insegurança está a espalhar-se no continente africano

Adebayo Vunge

Jornalista

Tem vindo a subir de tom e de maneira muito preocupante a insegurança no continente africano de tal sorte que actualmente em todas as sub-regiões encontramos nichos de conflitualidade. O caso de Moçambique tornou-se a referência dessa preocupação quando falamos da África Austral.

14/06/2021  Última atualização 05H40
Face ao que sucedeu no "país irmão do Índico”, os países vizinhos ao nível da SADC deveriam assumir uma postura de maior colaboração e não a de se resignarem ao mal que é provocado por movimentos fundamentalistas que se aproveitam essencialmente de falhas do Estado ligadas à má governação e consequentemente o lastro de pobreza que atravessa algumas regiões demasiadas ricas em matéria de recursos naturais.

Em sã consciência, não é admissível que estes movimentos continuem a espalhar o terror junto das populações ante a quase passividade ou incapacidade dos Estados em fazer-lhes face. Todos devem colocar as suas barbas de molho.
Se Moçambique é um palco onde o fenómeno ficou mais próximo de nós seja em termos geográficos mas sobretudo culturais, a verdade é que não é novidade por exemplo nos Estados do Sahel e da África Ocidental e Oriental onde as vagas de movimentos terroristas têm estado a devastar a força do Estado, já de per si extremamente frágeis como vimos suceder por exemplo no Mali a quando da intervenção das forças francesas que poderão estar de saída após o anúncio recente do Presidente francês, Emanuel Macron, no passado dia 10 de Junho.

Segundo ele, a região do Sahel tornou-se o "epicentro do terrorismo internacional” pois as forças francesas, não obstante o trabalho de apoio para a libertação de diversas regiões, não têm contado com o apoio do exército local para a manutenção da ordem do Estado. O clima político em Paris não permite que Macron mantenha o figurino e o número de efectivos naquela região.


Os franceses e os demais europeus que os dão suporte não compreendem a incapacidade das forças militares malianas para suster a situação e menos ainda o papel que estas têm tido na instabilidade política, mormente nos dois golpes de Estado recentes. Mas os franceses são também, cada vez mais, contestados e acusados de adoptarem uma postura neocolonial e não conseguindo evitar a onda de sequestros, mortes e migrações que o conflito tem vindo a gerar. Ao mesmo tempo, o espírito de cooperação que apontava para a formação dos exércitos dos países da região, do chamado G5 do Sahel (Mauritânia, Mali, Níger, Burquina Faso e Tchad) também revelou-se um falhanço de tal sorte que até um Chefe de Estado acabou por morrer em combate.

Coincidência ou não, no mesmo dia que o Presidente Macron anunciava o fim da operação Karkhane, a Côte d´Ivoire procedia a abertura de uma Academia Internacional de Luta contra o Terrorismo. O país pretende assim preparar as suas forças e prestar apoio aos países vizinhos face aos perigos que representam as forças djihadistas cuja principal táctica radica na infiltração junto da população.


É óbvio para todos que os países africanos devem criar condições endógenas para a salvaguarda da sua própria segurança e soberania e não assumirem uma postura de Estados-falhados diante da sua própria população e também diante da comunidade internacional. Neste capítulo, continua a ser muito contestada a inércia da União Africana em diversos quadrantes – seja em termos de defesa e segurança, seja também em matéria de promoção de uma efectiva integração económica e política ao nível do continente. E esta situação era válida antes da Covid-19, mas com esta pandemia é demasiada óbvia. A UA faz muito pouco, pede-se mais dinamismo.

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