Opinião

A importância do sector empresarial privado

Segundo Henry Jackelen, Director da Divisão do Sector Privado junto do Bureau de Parcerias do PNUD, “o sector privado desempenha um papel particularmente importante na criação de emprego e riqueza, oferta de bens e serviços, e contribui até para a resolução de problemas sociais, tendo um lugar fundamental na formação e desenvolvimento de mercados inclusivos”.

18/11/2018  Última atualização 08H55

Numa análise voltada para “O Papel do Sector Privado no Desenvolvimento e Luta contra a Pobreza, experiências do PNUD e novas oportunidades”, Henry Jackelen assinalou o estado incipiente em que o sector privado angolano se encontrava – Abril 2010, tendo sugerido a pertinência do seu alavancamento, tornando-o forte, e caso fosse reconhecido (o sector privado) como fonte de trabalho e não apenas como fonte de impostos, estariam criadas as condições para a redução da informalidade – hoje com um peso significativo na economia nacional, pela capacidade de geração de emprego (ainda que precário) e pelo volume significativo(inegável)de transacções financeiras.
Com uma posição vincada em torno do desenvolvimento de mercados inclusivos, Henry Jackelen sustenta que o Estado deve criar mais incentivos para o sector privado crescer e o informal se formalizar, deixando claro que Angola não é o único país com um mercado informal grande. Brasil e outros países emergentes também vivem esta realidade. 
“Quando a formalização não se traduzir numa carga tributária, vai passar a ser vista como vantagem. Não vejo a informalidade do mercado como negativa ou positiva. É um facto do desenvolvimento económico angolano, que ao longo do tempo vai poder diluir-se nas políticas adoptadas”. Sic…
A visão de Henry Jackelen, com a qual partilho, reveste-se de actualidade, hoje que o sector privado é chamado (no novo contexto) a desempenhar o seu verdadeiro papel, contrário ao que anos a fio se viu forçado a exercer, como mero veículo de esvaimento de recursos de origem orçamental para contas bancárias pessoais domiciliadas em paraísos fiscais.
O desenvolvimento que almejamos passa pela conjugação de políticas governamentais que atendam a dinâmica do sector privado e de outras organizações, pois sem investimentos sustentáveis do sector privado, os recursos públicos serão sempre exíguos/insuficientes, ante as necessidades elásticas dos seus cidadãos.
Encarar o problema de frente, para o reposicionamento do sector empresarial privado, passa pelo seu resgate urgente, num exercício e esforço conjugados entre o Executivo, banca comercial e empresas detentoras de reconhecidas capacidades agregadoras de valências na geração de empregos e oferta de bens e serviços nas cadeias produtivas definidas no PDN – Plano de Desenvolvimento Nacional, uma vez que as novas empresas que puderem surgir, não farão melhor que as existentes, que por força da conjuntura económica desfavorável global e local não resistiram ao endividamento induzido, resultando na sua falência técnica em cadeia, só possível de ultrapassar com a intervenção e o assumir de “compromisso” com o poder político, com a adopção de medidas excepcionais de contexto, a julgar pela tendência regressiva do preço médio do barril de petróleo, cotado em cerca de 65,00 dólares, visando responder ao desiderato de aumento da produção e redução das importações, segundo a proposta do exercício orçamental para 2019, que projecta um crescimento de 2.6% do PIB para o sector não petrolífero.
A prática e experiências de países que passaram por situações idênticas às nossas, mostraram que sem o estabelecimento de parcerias fortes com o sector privado, ao nível local e global, não será possível a criação sustentável de emprego, combate à pobreza e atingir-se a prosperidade há muito adiada do povo angolano.
* Economista

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