Opinião

A hora de juntos marcharmos…

Agostinho Chitata

Jornalista

Ontem, foi o Dia dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria. A festa foi de uma celebração nacional. É de justiça atribuir a estes compatriotas o reconhecimento merecido, a julgar pela sua contribuição à causa da Independência, à paz e a todo o processo de tranquilidade que o país vive.

16/01/2022  Última atualização 08H25
Foram milhares de soldados que deram o melhor de si, muitos ficaram nas linhas de conflito, para que hoje tivéssemos um Hino Nacional a ser entoado nos grandes palcos mundiais e que enaltece o nome de Angola.

A situação actual deste grupo de cidadãos conhece protecção legal e distingue a sua contribuição à luta de libertação nacional contra o colonialismo português,  na defesa da pátria e a garantia da estabilidade material e moral necessárias ao seu desenvolvimento assume-se como uma obrigação inadiável.

Afinal, quem é o antigo combatente? É o cidadão, lê-se, que sob direcção organizada de um movimento de libertação nacional ou integrando células ou grupos activos da clandestinidade, tenham se prestado à missão que culminou nesta paz efectiva. Hoje, podemos dizer ao mundo que a guerra nunca mais em Angola. 

Qualquer movimento que "belisque” todas as conquistas tem de ser visto como uma quimera, pois, além de o apelo ir no sentido de maior prudência e amor à pátria, é importante que percebamos a importância das nossas conquistas, desde a Luta de Libertação Nacional até aos dias de hoje.

Tivemos um país adiado por muito tempo. E o valor da liberdade foi manifestado pela nacionalista Rodeth Gil ao Jornal de Angola: "A liberdade é de uma satisfação permanente”. E justificou ainda mais e de forma comovente: "É uma riqueza muito forte. Valeu a pena sim, porque tenho a minha Bandeira Nacional”. Cores que custaram sacrifícios incomensuráveis e que hoje só temos a incumbência de "saber o que custou a liberdade”.

Temos um Ministério que tutela os interesses dos antigos combatentes e veteranos da pátria, e não só, o que demonstra a preocupação contínua do Estado que tem procurado criar condições adequadas que visem sempre a formação sócio-profissional destes compatriotas e dos seus familiares.

O antigo combatente e o deficiente de guerra, de acordo com as suas habilitações académicas e técnico-profissionais, e é de lei, têm direito ao emprego, gozando de prioridade nos concursos de admissão e o Estado deve incentivar e apoiar iniciativas do género.

E são acções que acontecem. Por exemplo, o Gabinete Provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria em Benguela vai inserir, este ano, trezentos e nove ex-militares no seu sistema de recenseamento e controlo. Há programas em que cooperativas recebem kits de serralharia, motorizadas e inputs agrícolas, entre outros bens para abrir o seu "negócio” e gerar uma renda.

Destes pequenos mas significativos gestos, muitos empreenderam com sucesso e hoje geram empregos para outras pessoas necessitadas. Citamos o caso de Fernando Caquice, um antigo combatente, beneficiário. Ele possui uma pequena serralharia com o seu nome e, em quatro anos, já empregou 60 pessoas.

É verdade que é sabido que estes ainda se deparam com muitas dificuldades a ultrapassar, ou seja, a conhecer soluções, como também, convenhamos, a crise sanitária mundial, que comprometeu o andamento normal da economia, também só veio agravar a situação de todos, sem excepção. Entretanto, é importante manter-se o foco e de mãos dadas sairmos destes momentos sufocantes. Vamos sim. Aliás, como escreveu o poeta maior: " Esta é a hora de juntos marcharmos corajosamente para o mundo de todos os homens”.

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