Opinião

A heroína Greta

Estavam representantes de 60 países na Cimeira do Clima na ONU quando a menina sueca, Greta, activista de 16 anos de idade, abriu o livro sagrado da vida e tratou os bois pelos nomes. Antes, no fim-de-semana, milhões de jovens desfilaram nas ruas por esse mundo fora em defesa do clima, numa tentativa de resgatar os mais velhos de uma imoralidade que pode custar o fim da vida à superfície da terra, enquanto, por aqui, ainda haja quem queira resgatar a juventude que quer tratar do seu futuro. (…)

26/09/2019  Última atualização 07H15

Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. Isso está errado, eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na escola, do outro lado do oceano. As pessoas estão sofrendo. As pessoas estão morrendo. Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam gira em torno do dinheiro e um conto de fadas de crescimento económico eterno. Como ousam?
(…)
Por mais de trinta anos a ciência foi clara. Como ousam seguir ignorando os alertas e vir aqui para dizer que estão fazendo o bastante? Se vocês realmente entendessem essa situação, e ainda assim seguissem falhando em suas acções, então vocês são maus. E nisso eu me recuso a acreditar.
(…)
Vocês não são maduros o suficiente para dizer que estão falhando. Mas os jovens estão começando a entender sua traição. Os olhos das gerações futuras estão virados para vocês. E se vocês decidirem nos ignorar, eu digo, nós nunca vamos perdoá-los.
Aqui, agora, vamos definir os limites. O mundo está acordando. A mudança está vindo, quer queiram quer não.
Estas palavras, parte da epístola, quase messiânica, levou logo os “adiantados mentais,” a julgarem que a menina tinha ido de avião…com energia suja. Nada. Ela viajou num veleiro de painéis solares e turbinas submersas para gerar energia limpa. Veleiro caro.
É preciso não esquecer que em 1972 já um grupo de cientistas que se agrupava no Clube de Roma, criado por Aurélio Peccei, produzia um relatório sobre os limites do desenvolvimento que foi a base de uma visão moderna do ambientalismo, então acusado de tendências catastróficas. Afinal era o princípio da razão “interromper o uso do carvão, petróleo e gás é necessário para resolver a crise.”
Em 2015 veio o Acordo de Paris, um tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global. Os países mais pobres, principalmente os africanos, entenderam que a questão não estava a ser bem colocada. O Ocidente tinha feito duas guerras mundiais com ataques severos ao clima, porta-aviões, submarinos e todo o tipo de armamento que continua a fabricar para vender ao “outro” e inventar mais guerras. Graças ao petróleo, dinheiro e bancos tornaram-se nos mais fortes mas nos mais poluentes. Agora quem ia pagar a descarbonização seriam os mais pobres pois, como diz o outro, quando os países grandes espirram os pobres morrem de tuberculose. Mas o homem que dirigia o encontro levantou o martelo verde e disse que estava aprovada a Convenção de Paris!
Trump e Bolsonaro mais o japonês (este não compreendo) são contra. A América é o maior poluidor do planeta. Os chineses que poluem muito, aceitam, bem como a Rússia que surpreendeu.
E especulações? São muitas. Quando os fósseis –que não têm duração infinita – acabarem, haverá o álcool de origem vegetal, o etanol já usado no Brasil a partir da cana-de-açúcar e nos Estados Unidos a partir do milho. Por ser de origem vegetal é considerado um combustível renovável e a sua vantagem para o meio ambiente é que uma quantidade equivalente à do dióxido de carbono lançado na atmosfera na sua produção é absorvida pela plantação por meio da fotossíntese. O uso do etanol reduz em média 89 por cento a emissão de gases de efeito estufa.
Mas há leis que defendem que só Deus pode acabar com o mundo e ainda falta a ressurreição…E a Arca de Noé vem à baila para a ciência com propostas de criação de uma “Arca de Noé” com micróbios cujo objectivo é proteger a saúde da humanidade a longo prazo.
O mais importante é que cada cidadão perceba que tudo não vai mudar por decreto e sem preço quando nos dias que passam por exemplo, se exterminam variedades de insectos importantes para a nossa vida.
Mas há caricaturas…a Índia das vacas sagradas vai ultrapassar o Brasil na exportação de carne de vaca.
Entre nós, se cada pessoa reduzir emissões de co2 passando a usar transporte colectivo (qual?), comer menos carne de vaca, já vamos indo a pensar nos carros eléctricos dos nossos bisnetos ricos que por não terem andado em carros a gasolina ou gasóleo não sentirão a nostalgia de avenidas silenciosas, sem o ruído nem os engarrafamentos do tempo de seus bisavós.
Para finalizar, há quem pense que da mesma forma que o ser humano agrediu a natureza com a ciência, técnica e tecnologia, ao ponto de se confrontar com o aquecimento global, outras tecnologias surgirão para repor o clima como que retirando o colesterol mau do co2…

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