Política

A expectativa de quem vota pela primeira vez e a experiência de quem o faz pela quinta

Estácio Camassete | Huambo

Jornalista

As Eleições Gerais de 24 de Agosto dividem as atenções entre a nova e antiga geração de eleitores, nomeadamente, dos que votam pela primeira vez e os que o fazem desde 29 e 30 de Setembro de 1992, para escolher o Presidente da República e os 220 deputados à Assembleia Nacional.

04/08/2022  Última atualização 11H24
© Fotografia por: DR

A equipa de reportagem do Jornal de Angola constatou, durante uma ronda pela cidade do Huambo, que os jovens sem idade eleitoral activa (18 anos) em 2017 estão agora ávidos de votar pela primeira vez. Basílio Miguel, de 19 anos, dividido entre a euforia e a certeza, confirmou estar emocionalmente preparado para participar no processo eleitoral, contribuindo de forma consciente na votação dos dirigentes que vão liderar o país nos próximos cinco anos.

"Para mim, votar é fazer uma escolha certa, porque com o meu voto vou ajudar a eleger o Presidente da República e os deputados à Assembleia Nacional, processo que se realiza em cada cinco anos. Sinto ainda aquele friozinho na barriga, por saber que vou votar pela primeira vez. É uma grande responsabilidade, esperando que o meu voto venha a fazer toda a diferença e ajude a construir um país cada vez melhor para todos os angolanos, principalmente para a juventude, que é a maioria da população do país”, refere.

Basílio Miguel conta ter realizado o registo eleitoral, leva sempre consigo o cartão de eleitor, tendo consultado os seus dados e já sabe que vai votar na Escola 28 de Agosto, na Rua do Comércio, cuja assembleia e mesa de voto foram por si identificadas, o que lhe dá a garantia de que nada vai atrapalhar a sua livre vontade de votar.

Eleitores pela quinta vez

António Mateus Pacheco, que participou em todos os pleitos eleitorais realizados no país, conta que a primeira vez que votou, em 1992, foi uma experiência diferente e difícil, uma vez que o país saía de um conflito armado e pouco depois entrou noutra guerra de proporções apocalípticas, fazendo milhões de mortes, deslocados internos, viúvas e órfãos.

Conta que na altura o processo de votação foi feito através de dois boletins de voto separados, o primeiro para as presidenciais e o segundo para as legislativas, por isso muitas pessoas não conseguiram identificar os dois documentos, o que resultou em muitos votos nulos.

Na altura com 21 anos,  António Pacheco conta que nos dias indicados para a votação, a 29 e 30 de Setembro, todo o mundo estava em prontidão para exercer o direito de voto, mas havia muita agitação, sobretudo no Huambo, uma vez que os ânimos dos responsáveis de alguns partidos políticos e dos seus militantes estavam muito altos, o que não garantiu sentimento de segurança para muitos eleitores.

"Olhando para o histórico dos processos eleitorais já realizados e estando a caminho do quinto pleito, as coisas mudaram muito, estamos num mundo globalizado e cada dia há coisas novas, o jogo político é diferente, uma vez que a informação chega rápido aos eleitores”, ressalta.

Em 1992, o cenário do processo eleitoral mudou drasticamente com a publicação dos resultados finais, ressurgindo a guerra que deixou o país devastado. Para a nova geração que vai votar pela primeira vez, António Pacheco pede calma e aconselha a evitarem tudo aquilo que coloca em causa a soberania do país, uma vez que já tivemos uma experiência amarga em 1992, onde a euforia dos eleitores resultou na devastação do país.

Celestino Kapiñgala é outro eleitor que acompanha desde 1992 até hoje todos os processos eleitorais. Recorda, com alguma amargura, que o primeiro pleito foi muito agitado, porque o contexto ainda era de guerra e a comissão organizadora das eleições não chegou em todos os pontos do país, onde algumas forças militares continuavam armadas até aos dentes, criando nessas zonas um clima de grande terror.

"Naquela época, o maior susto foi durante a publicação dos resultados finais e que despoletou noutra guerra civil, mas agora o contexto é diferente, e os jovens devem tomar muito cuidado e encarar o processo com muita serenidade, porque Angola precisa do esforço de cada um para a felicidade de todos”, rematou.

Arão Cangandjo Dumbo, 20 anos, diz que conserva como um verdadeiro tesouro o cartão do eleitor, porque a vontade de estar diante de uma mesa de voto, para exercer o dever de cidadania, é uma grande responsabilidade, por ter a certeza de projectar uma grande escolha para o futuro do país.

"Vou participar pela primeira vez na eleição do nosso Presidente, do Vice-Presidente e dos 220 deputados que nos vão representar na Assembleia Nacional. No princípio tive algumas dúvidas sobre o processo, mas já fui esclarecido pelos agentes cívicos da Comissão Nacional Eleitoral (CNE). Agora estou disponível para realizar o direito de voto e acredito que vai correr tudo bem, porque o voto é um dever cívico e patriótico, em que o cidadão de 18 anos para cima tem de votar para um país melhor", reforça.

Arão Cangandjo apela ao voto dos jovens, porque quem não vota perde o direito de reclamar sobre as condições do país.

Celina Isabel, que também vai votar pela primeira vez na escola da centralidade do Lossambo, disse estar ansiosa para votar. Quando faltam 20 dias para o voto, diz que se vai informar junto dos agentes cívicos da CNE para dissipar todas as dúvidas quanto ao processo, para que quando chegar o dia 24 não falhar.

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