Opinião

A dívida pública a economia e as empresas

O Governo decidiu fazer pagamentos do que deve a fornecedores, uma medida que vai fazer com que muitas empresas voltem à actividade produtiva, podendo daí resultar uma redução gradual da taxa do desemprego no país.

24/05/2019  Última atualização 07H28

Sabe-se que muitas empresas foram à falência porque o Estado, devedor, não pagava ao longo de vários anos aos agentes económicos privados que lhes prestavam serviços e que executavam as suas obras. E, ao que parece, não são poucas as empresas que prestavam serviços e executavam obras de que o Estado era dono.
Importa entretanto certificar o que o Estado deve realmente, porque ocorreram no passado casos de empresas que não executavam as obras ou não prestavam quaisquer serviços, mas que recebiam do Estado indevidamente dinheiros, sem cumprirem os seus compromissos.
É positivo que se faça a certificação da dívida que suscitem dúvidas e que tenham sido contraídas num período em que não se respeitava as regras de execução orçamental. Pretende-se agora que, mesmo não tendo sido observados procedimentos legais, se acautele interesses de empresas que de boa fé prestaram serviços ao Estado.
Todos nós angolanos pretendemos que haja muitas empresas a funcionar no país. Um número elevado de empresas privadas estão descapitalizadas e não podem contribuir para o crescimento da economia. Havendo muitas empresas em actividade produtiva, em particular as pequenas e as médias unidades de produção, estas podem absorver muitos cidadãos que procuram emprego.
O pagamento do que o Estado deve aos seus fornecedores vai certamente "aquecer" a economia nos próximos tempos e pode vir a assistir-se à revitalização do sector empresarial privado. Ao pagar as dívidas a fornecedores privados, o Estado contribui para que se resolvam muitos problemas na sociedade, já que a redução do desemprego, por via do aumento da actividade produtiva, vai ter repercussões positivas na vida das famílias.
Que no processo de pagamento a fornecedores, o Estado deve prestar atenção especial às pequenas e médias empresas, que certamente são em grande número. Não é demais afirmar que, estando muitas pequenas e médias empresas em actividade produtiva, o mercado pode vir a conhecer uma maior oferta de produtos e de serviços, o que pode fazer baixar os preços, aumentando o poder de compra dos consumidores.
O Estado pode, por via do pagamento da sua dívida, desempenhar um papel importante no combate ao desemprego e à pobreza, e há esperança de que este processo seja célere. Os agentes económicos privados, a quem o Estado deve, precisam urgentemente de capitais. Não há mais tempo a perder. O crescimento da economia depende em grande medida das empresas.

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