Opinião

A distribuição de água

O fornecimento de água em condições e qualidade para o consumo humano, em todo o país, continua ainda a enfrentar dificuldades que tornam o acesso ao líquido precioso uma espécie de privilégio. Desde há algum tempo, foram várias as diligências feitas pelo Governo, acompanhadas pelos parceiros internacionais, nomeadamente o Banco Mundial, para alargar o fornecimento de água potável a um universo cada vez maior de consumidores.

18/04/2020  Última atualização 07H00

A cooperação com a República da China também contribuiu significativamente para a materialização do chamado “Programa Água Para Todos”, que permitiu implementar milhares de ligações domiciliares. É verdade que, se fizermos um balanço, chegamos facilmente à conclusão de que os resultados estão ainda longe de satisfazer a larga maioria dos angolanos. Muitas dessas ligações, em numerosos bairros periféricos de cidades como Luanda, além do funcionamento irregular, há muito que deixaram de jorrar água.
Assim, continuamos com um elevado défice de fornecimento de água, em qualidade e quantidade, numa altura em que nos é igualmente permitido fazer uma simples reflexão : se os programas anteriores de ligações domiciliares e fornecimento fossem levados mais a sério, hoje não teríamos os problemas que vivemos.
Podíamos continuar a ter problemas de água, eventualmente, mas, seguramente, não na dimensão em que nos encontramos hoje, ao ponto da maioria das ligações feitas na periferia de Luanda não funcionar. E nem sequer essa disfunção no fornecimento do líquido precioso que, em muitos bairros, verte nas torneiras “quando entender que deve jorrar”, é acompanhada de explicação sobre as razões, causas e soluções alternativas.
Hoje, a braços com a pandemia da Covid-19 as diligências para fornecer água potável às populações que seriam, possivelmente, minimizadas com um abastecimento regular, acabam por exigir uma espécie de multiplicação de esforços. Tratam-se de problemas que estariam já resolvidos ou com algum nível de funcionamento que não levaria a privações alarmantes no seio das populações.
Nesta altura em que a Covid-19 impõe a necessidade de se redobrar as acções pessoais e colectivas de higiene, realidade que começa invariavelmente com a presença de água, em quantidade, nas comunidades, a sua falta deve ser minimizada.
Consciente dessa realidade, está a ser oportuna a iniciativa do Executivo em promover uma campanha de distribuição grátis de água potável à população, enquadrada no combate ao novo coronavírus (Covid-19). A estratégia de desdobrar camiões cisternas em todo o país para assegurar que as populações não fiquem completamente privadas de água, constitui uma iniciativa vital nesta fase. Particularizamos esta fase por razões mais do que conhecidas, embora o fornecimento de água potável por parte da empresa responsável seja sua atribuição.
Esperamos que essa empreitada cubra um maior número de consumidores, sobretudo aqueles que estão em condições mais desfavoráveis, do ponto de vista de rendimentos, e ali onde as necessidades mais requerem a presença desse serviço gratuito do Estado.
É importante enaltecer o papel que está a ser jogado também pelos privados, que se associam ao Estado, para assegurar a materialização do plano do Governo, com a disponibilização de camiões cisternas pelas 18 províncias do país. Auguramos que as instituições do Estado e os seus parceiros privados sejam bem sucedidos na campanha de distribuição gratuita de água às populações, porque tudo começa ou passa invariavelmente pela água.

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