Opinião

A distribuição das vacinas e a sua produção em África

A distribuição de vacinas contra a Covid-19 pelo mundo continua a ser tema de discussões em diferentes fóruns internacionais, com alguns líderes mundiais a pronunciar-se a favor do acesso ao fármaco de todos os países do mundo, em condições justas.

31/05/2021  Última atualização 10H26
 Apesar desses pronunciamentos, a verdade é que se assiste ao egoísmo por parte de países desenvolvidos, que priorizam a vacinação das suas populações, não se importando com a situação, por exemplo, de Estados africanos, que não têm capacidade para comprar elevadas doses de vacinas nem capacidade para as produzir.
Segundo o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, "até ao momento, menos de metade de um por cento da população no continente está totalmente vacinada contra a Covid-19.

 Ramaphosa defende que África não deve continuar na lista de espera para ter acesso à vacina contra a Covid-19, tendo apontado países africanos com capacidade para produzir o fármaco, nomeadamente Egipto, Tunísia, Marrocos e Senegal.
A questão da distribuição injusta de vacinas contra a Covid-19 tem preocupado o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que não se cansa de apelar aos países ricos para a solidariedade com Estados menos desenvolvidos e para renunciarem a "interesses nacionalistas e egoístas".

Falando ao Fórum Virtual de Soluções Globais, Guterres pediu particularmente ao G20 ( grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo) uma resposta para se pôr fim ao que designou por distribuição "inaceitavelmente injusta" da vacina contra a Covid -19 aos países pobres.
 Alguns líderes mundiais têm defendido uma resposta multilateral para fazer face à pandemia, como é o caso de Mario Draghi, Primeiro-minitro italiano e actual presidente do G20, que afirmou o seguinte no Fórum Virtual de Soluções Globais: "O mundo precisa do mundo e não de um conjunto de nações separadas."

 Há líderes mundiais, nomeadamente europeus, cheios de boas intenções quanto à distribuição de vacinas. Mas entre as intenções e a prática que se devia traduzir em melhor distribuição de vacinas pelo mundo há ainda uma grande distância.
Perante o actual quadro de distribuição injusta de vacinas, África quer mexer-se no sentido de quebrar a dependência dos países ricos, no que diz respeito ao acesso ao fármaco.


Os povos africanos esperam que os países em condições de desenvolver já capacidades para produzir vacinas avancem com os seus projectos, aliando-se a países ricos que queiram fazer parcerias, na perspectiva de se salvarem vidas humanas.

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