Opinião

A criminalidade violenta

Editorial

A criminalidade violenta, atendendo aos últimos desenvolvimentos, começa a ganhar contornos que tendem a aumentar o sentimento de insegurança, quer nas zonas urbanas, quer nas zonas peri-urbanas.

25/09/2021  Última atualização 05H55
Testemunhámos, nos últimos dias, a cenas que envolvem crimes que chocaram a sociedade, sendo uma delas relacionada  com o pai que esquartejou o próprio filho de menos de dois anos de idade, no Zango, aqui em Luanda, alegadamente por razões místicas.

Há dias, a imagem de vídeo amador, mas completamente nítida, divulgada pela TV Zimbo, em que uma carrinha vermelha é imobilizada por meliantes em plena estrada, que a perseguia à luz do dia, leva a muitas interrogações.

Não são muitos os casos que envolvem tais tipos de assaltos, independentemente do que ocorreu em tempos na Via Expressa, muito por conta de alguma coordenação e informação prévia entre os malfeitores.  

O automobilista, indefeso, retirou-se da viatura, de mãos levantadas, deixando os meliantes, provavelmente providos de informações privilegiadas sobre o itinerário do homem que seguia ao volante, observado por outros automobilistas e transeuntes que passavam.  

Quando não devidamente explicado, alguns actos criminosos que tendem a "viralizar" nas redes sociais, como fenómenos alegadamente recorrentes, permanentemente presentes na vida das pessoas e comunidades, a criminalidade pode gerar efeitos imprevisíveis no seio da opinião pública. Pode até condicionar a simples movimentação de pessoas de casa para a rua, deixar outras "confinadas" nos abrigos e ainda outras a ver a saúde física e mental a degradar-se por força do pavor, insegurança e pânico.  

Não há dúvidas de que, relativamente ao caso de viaturas em circulação que acabam imobilizadas e outros casos de pessoas abordadas na rua, bem como famílias assaltadas nos seus aposentos, que ocorrem, algumas vezes, em pleno dia, estamos em presença de situações que indicam alguma liberdade de actuação dos meliantes.

É verdade que se tratam de casos que, embora nalgumas circunstâncias possam enquadrar-se nos chamados casos pontuais, a sua gravidade choca a sociedade, requer uma acção policial, criminal e penal à altura, para bem da ordem, segurança e tranquilidade públicas.

Hoje, fruto da facilidade, rapidez e eventualmente da capacidade de encenação que pode também estar por detrás de determinadas situações, dadas como reais, a criminalidade ganha rapidamente foros de omnipresença e até de ubiquidade na sociedade.

Mas obviamente que não é assim em todo o lado, nem se trata de algo que fuja ao controlo da Polícia Nacional, como explicou, na quinta-feira, no serviço central de noticiário da televisão pública, um oficial comissário da corporação.

À TPA, o oficial superior da Polícia Nacional desmistificou a ideia de descontrolo da actual situação de criminalidade em Luanda, apelando à serenidade e ao exercício normal das actividades comuns do dia-a-dia. Sem descurar as medidas que as pessoas singulares e famílias devem adoptar, nada justifica que fiquemos reféns dos actuais fenómenos que envolvem a criminalidade em Luanda, como disse o responsável afecto ao MININT.
 

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