Opinião

A cooperação Sul-Sul

A investida política e diplomática do Presidente da República, João Lourenço, com as deslocações oficiais à Turquia, Guiné Conacri e agora ao Ghana, representa a continuidade da agenda panafricanista do Mais Alto Magistrado da nação, sob a bandeira da diversificação da economia.

03/08/2021  Última atualização 09H59
Ao lado das consultas bilaterais permanentes entre os Estados, que visam sempre o reforço dos laços políticos e diplomáticos, hoje, a componente económica e comercial tende a falar mais alto. E tal como sugerem as Organizações Internacionais, a promoção da cooperação Sul-Sul deve ser privilegiada pelos Estados,  atendendo ao elevado grau de complementaridade das economias,  a possibilidade de maior equilíbrio nas trocas comerciais, da mobilidade dos povos, entre outros ganhos. 


Na Guiné Conacri, o Presidente João Lourenço e a delegação que o acompanhou realizaram uma visita histórica na medida em que, ao lado das investidas políticas e diplomáticas, foi aflorada igualmente a dimensão histórico-política dos laços.


Saudamos a iniciativa do Chefe de Estado em receber os representantes de centenas de guineenses que pegaram em armas, aqui em Angola, batendo-se para a conquista da Independência Nacional, um facto histórico que deveremos sempre saber honrar e jamais esquecer. 


No Ghana, o Presidente João Lourenço vai, com o seu homólogo, Nana Kufo-Addo, passar em revista a cooperação política, diplomática e económica, numa altura em que os desafios dos dois países se assemelham, em muitos aspectos. Precisam de diversificar as respectivas economias, de melhorar continuamente o ambiente de negócios, de investir nos esforços para garantir a segurança no Golfo da Guiné, apenas para mencionar estes problemas.


Na agricultura e na mineração, ao lado da nascente indústria petrolífera, Ghana pode ser um parceiro estratégico de Angola no processo de aprendizagem  e melhoria mútuas com reflexos nas trocas comerciais entre os dois países. Da pesca à produção agrícola em que o Ghana é, por exemplo ao nível da produção de mandioca, quarto maior produtor mundial, não há dúvidas de que podemos colher a experiência deste país irmão.

Angola e Ghana são dois países com realidades económicas que se podem complementar, se olharmos para as especificidades de cada um e se, fundamentalmente, as duas partes souberem explorar o que dar e receber do outro.
Sabemos que os dois países tiveram várias comissões mistas bilaterais e segundo as palavras do ministro das Relações Exteriores, Téte António, caminha-se agora para a implementação da sexta comissão conjunta ao nível da cooperação.

Acreditamos que o importante é que as autoridades políticas saibam abrir espaços para os operadores económicos e comerciais privados, tal como fazem com a agregação de empresários e empreendedores nas delegações presidencial e ministerial. Fazemos votos de que os nossos empresários e empreendedores tenham o trabalho de casa bem feito para que sejam dignos de serem integrados em delegações angolanas que se deslocam em visitas oficiais no estrangeiro.  

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