Opinião

A concepção dos angolanos sobre os Seguros

É notório que os Seguros são fundamentais independentemente dos ciclos económicos, assim como, é hoje amplamente consensual que os Seguros podem fazer a diferença para as empresas, os indivíduos, as comunidades e as sociedades em geral.

06/12/2022  Última atualização 06H40

Efetivamente, em Angola, o sector de seguros ainda contribui muito pouco no PIB, 1% do PIB vem, do sector de seguros, mas com a dinâmica da economia e importância deste instrumento para actividade económica, dada especificidades dos sectores, segundo Relatório do Mercado de Seguros, Fundos de Pensões e Mediação de Seguros (2021), publicado pela Agência angolana de regulação e supervisão de seguros, já é visível o esforço na alavancagem e atratividade a nível do próprio sector para o desenvolvimento da Economia.

Não obstante as melhorias verificadas no sector de Seguros subsiste ainda um significativo défice de compreensão da importância dos seguros por parte dos angolanos.

Do ponto de vista dos angolanos, fruto do próprio contexto económico, social e cultural do nosso país, uma parte expressiva dos cidadãos pensa que obter ou fazer um seguro é um luxo. Visto que é um sector com grande potencial de crescimento, a sua contribuição para o PIB é residual, gera parcos recursos ou em termos práticos ainda não contribui para o crescimento ou desenvolvimento da economia nacional.

Segundo o INE, se a maioria das pessoas empregadas se encontra no emprego informal 79,3% das quais 70,4% entre homens 88,0% entre mulheres onde há maior incidência de empregos precários, podemos intrinsecamente entender que pouco mais 75% da população angolana não tem conhecimento da importância de ter um seguro, porque infelizmente em Angola ainda há poucos mecanismos ou veículos de informação sobre as oportunidades do sector de seguros, o que limita o conhecimento profundo sobre o mundo ou mercado dos seguros em angola.

 A Agência angolana de regulação e supervisão de seguros (ARSEG), e as empresas seguradoras que operam no mercado, deviam dar a conhecer e explicar de forma assertiva as oportunidades e possibilidades de adquirir ou celebrar um contrato de seguro, de forma a tornar atrativo o sector.

Porque que os indivíduos e as empresas dos ramos não seguros, têm pouco conhecimento sobre os vários tipos de seguros que existem dentro do mercado de seguros, visto que para além do seguro obrigatório, que todos dominamos, na qual importa destacar o seguro automóvel e seguro de vida. A outros tipos de seguros que existem e que proporcionam diferentes oportunidades e segurança para as empresas e a população em geral, podendo contribuir e ajudar no crescimento e desenvolvimento do sector, na empregabilidade, e no crescimento económico do país.

É possível pensarmos em proporcionar informações oportunas e relevantes sobre a necessidade e importância dos seguros, razão pela qual as 22 entidades com actividades de seguros ou sector de seguros no mercado angolano, deveriam criar estratégias de modo a tornar o sector mais atrativo, para que seja possível atrair o público em geral, em aderir mais os serviços ligados a este sector. Pois urge a necessidade dados os investimentos que serão canalizados, no sentido de no médio e longo prazo, o sector de seguros financiar a economia. 

 Como é sabido, segundo o relatório 2021, que o ramo não vida continua com a maior carteira do nosso mercado ou sector de seguros, nomeadamente, os acidentes, doenças e viagens, que em 2021 contribuíram com um total de prémios de seguros directos de 48,69%.

Já o ramo vida continua com a carteira global de prémios muito baixa de 2,82%, porque os tipos de seguros ou coberturas apresentadas neste ramo, ainda carecem de informações por parte dos tomadores, nota-se dúvidas, omissões e falta de clareza por parte dos tomadores de seguros ou público em geral. Como também os prémios e as políticas de incentivos para adquirir os produtos, que no geral, não se adequam as necessidades dos tomadores de seguros, que pensam que fazer um seguro do ramo vida é um luxo, é gastar dinheiro. Apegando-se a ideia que, depois de um ano não há uma contrapartida por parte das seguradoras.

ARSEG e as entidades seguradoras podem mudar este contexto ou cenário, se tornarem o ramo vida de seguros mais atrativo e menos dispendioso para o tomador do seguro ou segurado, para haver mudança na contribuição do ramo vida ao sector de seguros no nosso mercado, o que proporcionará no médio e longo prazo maior contribuição do PIB  para números mais expressivos. Pois é imprescindível porque que o sector de seguros começa a dar passos largos e maior representatividade para a economia nacional, na promoção da empregabilidade dos jovens e adultos e alavancagem de outros sectores do país, que possa  vir a dar ou proporcionar benefícios  para as famílias, empresas, e estado, e outros intervenientes do sector ou mercado de seguros. 

É indiscutível que o sector de seguros incida mais para o ramo vida, até porque os seguros estão para proteger as pessoas em caso de algum sinistro que venha acontecer ou ocorrer de forma inesperada. Por este motivo é que se faz um contrato de seguro entre um tomador de seguro e uma entidade seguradora que operam dentro do nosso mercado de seguros.

Apesar do crescimento do ramo vida nos últimos três anos, ainda assim precisamos trabalhar muito para atingir níveis favoráveis em Angola para que o público em geral entenda a importância de fazer um contrato de seguro, para que possamos ver o seu verdadeiro papel dentro do nosso mercado económico e financeiro.

É hoje amplamente consensual que o sector de seguros pode ser mais rentável e atrativo, deste que seja organizado. É possível com a intervenção assertiva dos mediadores de seguros, em darem a conhecer todo o tipo de seguros, que a empresa poderá disponibilizar ao segurado, bem como, prestar toda a informação sobre a natureza dos seguros, de forma clara, concisa e precisa a quem pretende adquirir um seguro.

O sector de seguros em Angola ainda é inexpressivo em Angola, mas importa referir que está a crescer e a  desenvolver-se em passos miúdos, uma vez que os angolanos estão preocupados em pagar ou obter os seguros obrigatórios, pelo simples facto de serem obrigatórios, sob pena de penalizações, como: seguros de acidentes, doenças, viagens, e automóvel, porque são os seguros que colocam em causa o exercício de várias actividades. Ainda é notório que as políticas de seguros não se adequam às necessidades e dificuldades do contexto que estamos inseridos.

A nova lei da actividade seguradora e ressegurado Nº 18/ 22 de 7 de julho, veio substituir a lei anterior que era a lei Nº 1/ 00 de 3 de Fevereiro.  Veio para facilitar o acesso de entrada de novas empresas no sector de seguros no nosso país, que torna as empresas mais eficientes e eficazes, para que os seguros celebrados entre as entidades seguradoras e tomadores de seguros satisfaçam ambas as partes que ainda consideram que os seguros são muito caros, porque nem todos tem a possibilidade de fazer ou adquirir um contrato de seguro, entre as empresas e os indivíduos que procuram por esses serviços que são os seguros.  O ramo vida é o que menos cresce no sector de seguros, porque ainda não é cultural, fruto do contexto económico e social as pessoas fazerem um contrato de seguros para o seu bem estar e da sua família, pois associam que são caro demais.


Sabalo Augusto

* Mestre em Economia e docente universitário

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