Opinião

A caminhada para a saída da crise continua …

Constituiu motivo de alento e esperança o apelo, em boa hora lançado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, referindo-se ao espectro da fome e da miséria em África, mas também por toda a parte do planeta terra, sobre a necessidade de recuperação dos efeitos da pandemia da Covid-19 e da guerra que assola directamente a Ucrânia e de forma indirecta os países do continente europeu, arrastando consigo a miséria mais atroz e que no fim de tudo trouxe consigo um rasgo de fé e esperança.

07/05/2022  Última atualização 08H35

De realçar em particular a forma coerente e determinada como António Guterrez enfatiza a  questão do alívio da dívida em primeiro lugar, como primeiro passo para que os  países africanos possam recuperar as suas economias da pandemia da Covid-19 e resistir com maior eficácia aos impactos negativos da guerra na Ucrânia.

As crises simultâneas de alimentos, energia e finanças em África , provocadas pelas interrupções  no fornecimento,  devido à guerra na Ucrânia é um factor  perturbador  que afecta todos os países do mundo e  em particular em África, conduzindo-os a um endividamento incomportável  e assistindo-se a uma interrupção abrupta da recuperação económica.

Por essa razão torna-se imprescindível o alívio da divida e, para além do mais, como segundo passo de grande significado, é imperioso a unidade de acção entre todos  os  países, ricos e pobres, sem excepção,  criando fortes laços  de solidariedade e sem preconceitos  abrindo-se   ao investimento,  desenvolvendo uma agricultura em grande escala, em especial  de  cereais, como o trigo, milho, soja e outros produtos agro-alimentares, ao mesmo tempo que irá impulsionar e acelerar a diversificação da economia e contribuindo substancialmente para a eliminação do  défice mundial de produtos agrícolas.

Os empresários angolanos , sintonizados numa unidade de acção solidária com o resto do mundo poderão ter uma oportunidade ímpar, abrindo o país definitivamente ao investimento para eliminar o défice de produtos agrícolas e consolidando a diversificação, mas respeitando sempre as prioridades do país.

Assim sendo, torna-se possível estender o investimento para outras áreas e outros sectores da actividade económica, particularmente as obras públicas, construção e imobiliárias, com a abertura de novas estradas e auto-estradas de grande portagem, complementando os investimentos de vias ferroviárias para interligar de Norte a Sul e de Leste a Oeste os grandes centros de produção e escoar os produtos para o resto do mundo.

Deste modo, todos estaremos a criar as premissas essenciais para a saída da crise que impera por agora.

A experiência vivida durante  e após a luta de libertação nacional conduziu a que os empresários  angolanos ganhassem a força moral necessária para com a maior  coragem e firmeza incitassem os seus pares pelo mundo fora a condenar   guerras devastadoras e a dignificar a humanidade, respondendo com iniciativas criadores para o seu bem-estar e progresso confortável.

De  recordar que o engenheiro Antonio Guterrez é um excelente conhecedor da realidade económica e social de Angola, tendo sido solicitado para realizar estudos com grande qualidade e projecção, no quadro do programa económico e financeiro, inserido na equipa do Prof. Silva Lopes, que também era assessor  principal do Banco Mundial.

 

* Antigo ministro das Finanças e ex-governador do BNA

Augusto Teixeira de Matos | *

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