Opinião

A atenção e união de todos

Editorial

Dois acontecimentos e momentos marcantes no cenário internacional, ontem e hoje, com reminiscências na vida social nacional, convidam a sociedade para a reflexão em relação à forma como são vistos, a atenção e importância atribuídos e ao tratamento a eles dedicados.

01/12/2022  Última atualização 06H35
Ontem, último dia dos mês transacto, o topo das atenções na cena social nacional e internacional foram as pessoas idosas, em memória à data a si dedicadas. Momento em que se recordou a importância dada a essas pessoas pelas famílias e pela sociedade.

Hoje, o dia é dedicado à luta contra o HIV/Sida. Recordam-se os esforços direccionados no combate ao fenómeno que já atingiu e ceifou muitas vidas humanas, no país e no mundo inteiro. As Nações Unidas referem que novas infecções estão a aumentar, as mortes continuam em muitas comunidades e o mundo não está no caminho certo para acabar com a pandemia da Sida.

Factor de convergência nos dois domínios, é que quando se recordam essas datas, vem, invariavelmente, à tona, a estigmatização direccionada pelo conjunto social às pessoas colocadas do outro lado da história: os idosos e os doentes de Sida ou infectados com o VIH.

As políticas do Estado e os esforços da comunidade internacional são reconhecidos. A guisa de exemplo, está o caso de Angola.  O Fundo Global das Nações Unidas reconheceu as respostas satisfatórias do país na execução dos projectos de combate à malária, tuberculose e VIH/Sida. As políticas do Executivo de protecção e valorização das pessoas na terceira idade são, igualmente, reconhecidas. 

Apesar disso, muitos idosos continuam a ser marginalizados e alvo de todo o tipo de tratamento inadequado com a sua condição. Muitas vezes, pelos próprios familiares. O mesmo acontece  com as pessoas infectadas com o HIV/Sida, que, muitas vezes, são abandonadas aos seus próprios cuidados.

As Nações Unidas consideram a marginalização e a criminalização de populações-chave como factores de entrave para a resposta global na luta contra a VIH/Sida.

A tendência é deixar tudo às mãos do Estado, das instituições criadas para atender estas situações. É preciso ter em conta que o Estado tem um importante papel a desempenhar, mas a sociedade precisa, igualmente, envolver-se com mais entrega e dedicação. O Estado cria as bases, mas o amor vem dos homens, o carinho vem da sociedade. E é, exactamente isso, que os idosos precisam. É, de igual modo, disso que as pessoas com VIH Sida precisam, da atenção e união de todos.

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