Opinião

A aposta no digital

António Cruz *

Director Executivo-Adjunto

As novas tecnologias estão cada vez mais presentes nas nossas vidas, queiramos ou não. É um processo irreversível e quem não se integrar ao sistema ficará para trás. A tendência actual é de integração digital, afectando directamente a nossa rotina diária. Seja nos negócios privados, ou na gestão pública, as novas tecnologias têm uma presença marcante. A aposta nesta área não deve ser encarada como mero capricho ou atracção para a juventude, como se costuma dizer em ocasiões em que queremos justificar o nosso atraso no conhecimento tecnológico.

16/06/2024  Última atualização 07H25

A telefonia móvel e a internet estão cada vez mais acessíveis, o que torna os operadores cada vez mais ousados. Os aparelhos deixarão de ser utilizados apenas para discar números e falar. Agora, vão além. Postos de trabalho foram criados e estão a empregar muita gente empreendedora.

Existem aplicativos para todos os tipos de negócios e pessoas que vivem à custa dessas ferramentas, sobretudo jovens, e é perfeitamente lógico que haja investimentos nesse sentido.

Esses aplicativos são cobrados e muitas pessoas se beneficiam deles. Há inclusive pessoas que abandonam empregos bem remunerados para se dedicar a esta actividade, o que desperta a atenção das autoridades como uma solução para a diminuição do desemprego, uma das maiores queixas da juventude.

A relevância das tecnologias de informação e comunicação tornou-se mais evidente nas discussões que o Governo angolano promoveu no fórum internacional de tecnologia de informação - ANGOTIC2024, que reuniu diversos países africanos e de outras latitudes.

O evento teve como lema Digitalizar, Conectar e Inovar e contou com 125 empresas inovadoras e mais de 70 expositores nacionais e estrangeiros. Foi um espaço privilegiado para apresentar as novidades em termos de equipamentos e tecnologias, mas também para conversar, trocar experiências, formar e realizar negócios.

Na abertura, o Presidente da República destacou a relevância dessas ferramentas, enfatizando que é hora de assumir o compromisso de investir de forma séria no potencial do digital. Destacou os esforços do Governo nesse sentido e os resultados já demonstrados.

João Lourenço ressaltou o aumento significativo no número de assinantes das redes de telefonia móvel (59,2%) e de subscritores da internet, que atingiram 11.250.250.

O Chefe de Estado disse que esses progressos são consequência dos investimentos do Governo em infra-estruturas básicas, capacitação dos funcionários e comprometimento dos operadores.

O Presidente anunciou que a rede de fibra óptica terrestre está a ser ampliada em mais de 2.000 km. Além disso, destacou a adesão do país ao cabo submarino de fibra óptica 2Africa, a consolidação do Programa Espacial Nacional com a venda da capacidade do Angosat2, a preparação das condições técnicas para a instalação da Televisão Digital Terrestre e a conexão de Angola com os países vizinhos por fibra óptica terrestre.

Um ponto de destaque nas discussões é a Inteligência Artificial, que se tornou a nova febre do momento.

Ao mesmo tempo em que é uma ferramenta relevante para o desenvolvimento das actividades profissionais em diversos campos, também apresenta um grande desafio. Em muitos casos, é utilizada de forma irresponsável, algumas vezes de forma intencional, enquanto outras vezes por desconhecimento ou inocência.

A formação foi um tema bastante discutido e, provavelmente, devido à febre, muitas pessoas passaram a usar as tecnologias de forma inadequada.

A inteligência artificial está a ser aplicada em áreas como jornalismo, direito, saúde, ensino e muitas outras áreas da vida. A simplificação do processo de digitação de entrevistas, que, anteriormente, era considerado demorado, passou a ser mais simplificado. Ocorre o mesmo no campo da educação com os trabalhos de investigação. O grande problema é que, por trás desses benefícios, existem práticas desonestas que prejudicam a sociedade.

O Governo anunciou que apostará na Inteligência Artificial (IA) e trabalhará para a sua regulamentação. É um passo importante, mas é necessário muito mais. As pessoas devem ter consciência da ética envolvida na questão.

Como bem disse o embaixador de Angola na Etiópia e Representante Permanente da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Miguel Bembe, durante uma reunião do conselho de paz e segurança da UA, é preciso ter uma postura ética e cautelosa ao lidar com as questões relacionadas à Inteligência Artificial (IA)

Miguel Bembe disse que é preciso assegurar a operacionalização de uma ferramenta que beneficia a sociedade como um todo, protegendo os valores e direitos fundamentais dos cidadãos.

Muitos jornalistas já estão familiarizados com os avanços da Inteligência Artificial na facilitação do trabalho dos jornalistas da imprensa, mas muitos ainda os desconhecem.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião