Opinião

A aposta na mulher rural

A aposta na mulher rural continua a ser uma espécie de solução sine qua non para resolver milhares de problemas com os quais se debatem as nossas famílias, com particular incidência aquelas que habitam as zonas mais recônditas de Angola.

13/10/2021  Última atualização 09H40
Afinal e como reconheceu a Primeira Dama, Ana Dias Lourenço, quando recentemente interveio por videoconferência, num workshop de capacitação das mulheres rurais, a mulher rural é "um pilar insubstituível da base familiar e a espinha dorsal de muitas comunidades”.

Inserido nas festividades do Dia Internacional da Mulher Rural, que se assinala depois de amanhã, a esposa do Presidente da República defendeu a formação contínua para as mulheres que vivem no meio rural.

De facto, além das mulheres em geral perfazerem a maioria da população angolana, não há dúvidas de que no meio rural a realidade é por demais evidente, quando se trata da presença massiva das senhoras, razão pela qual importa que se invista nelas.

Faz todo o sentido que se aposte na mulher do campo porque atendendo à estrutura socioeconómica do país, os indicadores menos bons afectam geograficamente de maneira desproporcional as zonas rurais, em que as mulheres se encontram em maior número.


O papel na estruturação e funcionamento da economia doméstica ao nível das referidas zonas, por força das atribuições exercidas pelos seres do sexo feminino, depende fundamentalmente do que as mulheres fazem, com os recursos que demonstram ao nível da formação ou experiência.

Acreditamos que se formos bem sucedidos na formação contínua da mulher rural, como defende Ana Dias Lourenço, não há dúvidas de que o factor multiplicador se vai evidenciar por si mesmo. Uma mulher educada, formada e experimentada nos seus afazeres de natureza económica, mesmo no contexto da vida numa zona rural, acaba sempre por influenciar positivamente na chamada mobilidade social.

Toda a comunidade em geral e as famílias em particular ganham quando as mulheres são fortalecidas nos seus afazeres, com condições de acesso fácil aos créditos para desenvolver a agricultura e o agronegócio, apenas para mencionar estes.

Na verdade, o reconhecimento do papel da mulher rural não é um favor que se pretende prestar às pessoas do sexo feminino, nem um modismo dos tempos modernos, mas uma necessidade decorrente inclusive dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável.

Daí a Primeira Dama, no seu pronunciamento, ter frisado oportunamente que "o reconhecimento das mulheres rurais é mais do que uma questão de justiça, igualdade e oportunidade social”.

Não podemos sonhar com uma sociedade desenvolvida, modernizada e de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, se um dos segmentos encontrar barreiras significativas à melhoria da sua condição, à ascensão social e económica.
Precisamos de continuar a investir fortemente na mulher rural para que os proveitos se revertam para toda a sociedade.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião