Opinião

A África prepara e antecipa o pós-Covid-19

Correu célere pelo mundo fora, mas sem grandes precipitações, a notícia sobre a aplicação da vacina contra a pandemia do Covina-19 que arrastou consigo um ar fresco de esperança e alívio em todo os continentes e países do mundo.

18/12/2020  Última atualização 19H15
No contexto da África Austral, em particular e de África em geral, Angola tem um papel predominante tendo em conta a sua posição geográfica e geopolítica.Ainda no século passado, Cecil Rohdes preconizava a construção de uma estrada ligando a cidade do Cabo, na África do Sul, à cidade faraónica do Cairo, no Egipto, passando pela Zâmbia, onde simbolicamente se criou em pleno Centro de Lusaka, sua Capital, uma rua que se denomina até aos dias de hoje de Cairo Rohdes.A pandemia da Covid-19 veio demonstrar a justeza desta ideia e para a necessidade de se dar combate cerrado à crise económica e financeira mundial e em simultâneo à pandemia, a qual torna-se necessário que as lideranças de Angola e da África do Sul tenham um papel fundamental numa África unida e determinada nas várias vertentes de luta contra a crise económica e financeira mundial e contra a crise sanitária que nos afecta.Angola lançou o Programa de Saneamento Económico e Financeiro, elaborado por técnicos nacionais, com vista a se introduzirem reformas de grande envergadura a médio e a longo prazo, de âmbito económico e financeiro, que, por sua vez, poderiam vir a transformar toda a região Austral do continente, pela profundidade das medidas preconizadas e reconhecidas pelas Agências das Nações Unidas e personalidades de reconhecida credibilidade.Apesar da implementação de algumas dessas reformas com sucesso, esse programa, vulgarmente conhecido como SEF, foi interrompido por razões políticas e de lutas de hegemonia entre os contentores mundiais.Com o surgimento da crise, este programa volta a ter actualidade, desta feita estabelecendo condições para que os países de todo o mundo criem condições no pós-covid que se avizinha, para a recuperação das suas economias em crise.Angola e a África do Sul podem e devem tornar-se países privilegiados para o arranque da viabilidade da economia mundial, presentemente paralisada e em recessão, ameaçando mesmo ser duradoira e destruidora, se não houver consciência que chegou o momento para se iniciar o ataque com força e determinação.Para tal, o sector das Obras Públicas e dos Transportes são vitais para a abertura do continente africano ao mundo, construindo estradas e auto estradas, vias-férreas de bitola mais larga, pontes, que partindo da cidade do Cabo transitam por Maputo, Lusaka e Luanda em direcção ao Cairo e daí para o Norte do continente.Voltamos a insistir nas lideranças fortes e determinadas, livres de pressões ideológicas, absolutamente desnecessárias e apenas baseadas numa sã e fraterna competitividade entre as empresas do mundo inteiro, apoiando solidariamente as empresas nacionais e a formação de quadros nacionais, de modo a se garantir a manutenção pelas empresas que forem sendo implementadas.Uma vez satisfeita a procura mundial neste sector de arranque, torna-se necessário dar passos significativos no desenvolvimento e diversificação da economia, eliminando-se as barreiras centralizadoras que impedem o progresso e a iniciativa local na agricultura, quer na familiar, quer de pequenos, médios e grandes agricultores.O excessivo centralismo no Ministério da Agricultura, não só é desalentador como também não incentiva as acções de carácter científico e de fomento, como é o caso das chamadas estações experimentais, na província de Benguela, onde vimos campos de cultivo de frutas como mangas e bananas no vale do Cavaco ou a famosa laranja de Caimbambo e outras fruteiras em estado de degradação avançado, devido ao abandono que se verifica no apoio que se lhes deveria dar, ameaçando a sua extinção que constituem um património incomensurável.Estas estações deveriam ser o instrumento principal de apoio aos produtores através da melhoria das sementes e plantas e da sua criteriosa distribuição, evitando-se o mal-estar permanente e mesmo a revolta, derivada da excessiva centralização destas instituições que retiram a iniciativa local.O sector da Saúde também deverá ter a prioridade adequada, pois, que é o garante de uma protecção eficiente das famílias, com um sistema eficaz e moderno de segurança social, de modo a que as famílias possam ter acesso a cuidados de saúde a custos muito mais reduzidos. A privatização da seguradora nacional ENSA não deveria ser objecto de prioridade no momento actual, reservando-se tal intenção para uma ocasião mais propícia, apenas quando estiverem garantidas as condições de segurança social, que os cidadãos não dispõem.Seria mais prudente incentivar a ENSA a promover e desenvolver Fundos de Pensões que são uma importante fonte de poupança para os cidadãos e para as empresas, proporcionando realizar os seus investimentos a longo prazo, ao invés de levá-los à descapitalização pela ausência de actualizações perante a desvalorização da moeda nacional e pela subavaliação no mercado de divisas internacional, impedindo a sua rentabilidade.Pensamos que os ganhos das diferenças da taxa de câmbio resultantes da desvalorização da moeda deveriam ser proporcionalmente repartidos entre o Orçamento Geral do Estado e os cidadãos para actualização dos rendimentos salariais e dos Fundos de Pensões.Por outro lado, corre-se o risco de se fazer entrar em colapso o sector da Saúde, agravando-se a ineficiência e a desmotivação dos trabalhadores e utentes a todos os níveis pela ausência de incentivos.A par do sector da Saúde, onde está em causa a melhoria das condições sociais dos cidadãos e dos trabalhadores em geral, é importante que se comece a delinear a reforma na educação, do nível básico ao superior.Em conclusão, é imperioso que o país e os cidadãos se antecipem com ardor e patriotismo, numa luta sem tréguas contra a inércia, arrancando Angola do marasmo em que se encontra a economia devido à crise económica e financeira e à pandemia da Covid – 19. Unidos e iniciando trabalho árduo nos sectores tradicionais de obras públicas e transportes num contexo mundial, todos estaremos aptos para vencer esta crise, começando pela construção de estradas e auto-estradas e vias férreas e pontes nos países da SADC, como motor do desenvolvimento. Angola, ao criar o Programa de Saneamento Económico e Financeiro, em 1989, teve o privilégio de este ter sido acompanhado por individualidades de grande credibilidade e conhecedores do país, apoiando sem reservas a profundidade que se pretendia alcançar de forma independente e sem subserviências, com as reformas elaboradas pelos técnicos angolanos em colaboração com os consultores do Banco Mundial, do FMI e do PNUD entre os quais se destacam o Prof. Silva Lopes a dra. Manuela Morgado, ambos já falecidos, o actual Secretário-geral das Nações Unidas, Eng. António Guterres, a senhora Tereza Ter Minassian e a equipa húngara chefiada pelo Prof. Tallós, também já falecido, e muitos outros que com o seu saber e experiência contribuíram com o seu melhor de si para que pudesse ser levado a cabo o programa referido.Por tudo isto e, pelo empenhamento revelado e em homenagem a todos estes verdadeiros heróis, seria justo que as Nações Unidas assumissem a criação de um fundo para o desenvolvimento rodoviário e ferroviário em África encabeçado pelo seu secretário-geral, Eng. António Guterres, que teria como objectivo em tempo de crise dar inicio à revitalização da economia mundial e de África em particular.

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