Opinião

A actividade produtiva e as medidas para a diversificação da economia

A necessária adaptação à economia global conduz ao livre mercado sem fronteiras. Quer com os mercados mais próximos, como através da integração cada vez maior entre os mercados, a disputa é para viabilizar o abastecimento de empresas compradoras e consolidar o nome como um fornecedor confiável e capaz de oferecer melhores condições de preço e qualidade.

13/05/2019  Última atualização 15H18

Os meios de comunicação e transporte existentes permitem que o mercado de destino amplie o volume da produção, desde que haja regularidade no fornecimento, diversidade de produtos e qualidade com elevado poder de competitividade. Os obstáculos a este ideal a ser atingido ficaram muito evidentes durante décadas no nosso país. Devemos admitir que o mercado era, e ainda é, altamente excludente e isso provocou da actual governação a necessária mediação.
Investimentos no sector agrícola, acesso ao crédito, aquisição de máquinas e equipamentos que multiplicam a capacidade de produção e fornecimento, etc., são algumas das iniciativas que consolidam o sucesso da opção no actual ciclo político de diversificar a economia para resolver os problemas imediatos dos estratos mais carenciadas da nossa sociedade, para além de livrar o Estado da dependência exclusiva da exploração do petróleo.
Nos dias 8, 9 e 10 deste mês, na cidade de Rimini - Itália, uma delegação da AIPEX - Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações, participou na MacFrut 2019. Expositores angolanos levaram aos importadores de diferentes países opções para o abastecimento dos seus respectivos mercados. Para além disso, de olho nas inúmeras possibilidades, a busca por aquisição de know how e novas tecnologias também esteve na base da presença angolana naquele importante evento europeu.
Iniciativas como esta são de fundamental importância para que aquilo que foi dito recentemente pelo Presidente João Lourenço, no seu discurso de abertura no encontro de empresários e homens de negócios que integram as Câmaras de Comércio e Indústria de Angola, possa servir de parâmetro em defesa de políticas que visam a solução de problemas e não apenas o acúmulo de riqueza nas mãos de grupos parasitários. É sempre importante lembrar que o nosso país vive uma profunda crise desde 2014 e que o facto de estarmos hoje a perspectivar um futuro melhor já é um indicador inegável de conquista.
“Em 2017 os desequilíbrios internos e externos prevalecentes na nossa economia eram enormes. Embora a situação ainda não esteja completamente normalizada, podemos dizer que estamos a caminhar paulatinamente para a retoma da estabilidade macroeconómica, criando as bases para o relançamento da actividade produtiva do país e de um crescimento económico mais vigoroso. São visíveis as medidas que têm sido tomadas para combater a corrupção e a impunidade e assim edificarmos em Angola um verdadeiro Estado de Direito e uma verdadeira Economia de Mercado”, afirmou João Lourenço.
Essas palavras são decisivas para que possamos fazer a devida reflexão sobre a importância do investimento na actividade produtiva. Ao acompanhar as notícias com depoimentos dos expositores angolanos naquela feira italiana, foi possível entendermos que a inclusão do empresário e daqueles cidadãos com vontade de produzir e fazer a economia crescer é uma acção indispensável para a construção do país que desejamos ter.
No mesmo discurso já aqui mencionado, o Presidente da República fez questão de destacar as medidas do governo que influenciam directamente para que esses primeiros resultados possam ser sentidos: “são também visíveis as medidas tendentes a combater a concorrência desleal, o branqueamento de capitais, bem como aquelas que têm sido tomadas pelo Executivo para apoiar o aumento da produção nacional, substituir importações e aumentar as exportações, no âmbito do PRODESI”. Essas são as ferramentas usadas para a consolidação daquilo que chamamos “diversificação da economia”.
Por tudo isso, devemos assimilar como algo irreversível que o investimento na agricultura é essencial para a solução de diversos problemas económicos e sociais de qualquer país. Reduzir a fome e promover uma produção agrícola sustentável é uma política de investimento público com elevado poder para combater os problemas da pobreza e da fome. Os produtores agrícolas são importantes aliados nas políticas de desenvolvimento do nosso país.
Desde logo, é acertada a decisão de incluir esse sector como um dos prioritários na estratégia de investir nas actividades produtivas e na busca de tecnologias e conhecimentos capazes de assegurar o retorno do investimento em longa escala na agricultura como algo capaz de gerar riquezas, o imediato benefício social e o necessário desenvolvimento sustentável. Boas sementes, bons frutos!

* Director Nacional de Comunicação Institucional.
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