Política

500 tractores para ex-militares organizados em cooperativas

Bernardino Manje

Jornalista

O Executivo, através do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), vai financiar, a fundo perdido, a aquisição dos primeiros 500 tractores de produção nacional, para beneficiar ex-militares organizados em cooperativas.

17/10/2020  Última atualização 13H53
Kindala Manuel | Edições Novembro © Fotografia por: Presidente da República inaugurou, esta semana, fábrica que vai montar três mil tratores por ano

A informação foi prestada, quinta-feira, em Luanda, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o estado da Nação, um dia depois de ter inaugurado, na Zona Económica Especial, a Kaheel Agricultura Angola, fábrica com capacidade para montar três mil tractores por ano.

Durante o discurso, que marcou a abertura do novo ano parlamentar, o Titular do Poder Executivo disse que o processo de aquisição dos primeiros 500 tractores seria conduzido pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU).

Na ocasião, o Presidente João Lourenço condenou a atitude de políticos e formações políticas que têm enganado ex-militares com promessas de inserção na Caixa de Segurança Social das Forças Armadas, direito reservado exclusivamente a oficiais na condição de reformados, processo esse que obedece a regras muito bem definidas por lei.

João Lourenço informou que, de Outubro de 2019 a Agosto de 2020, foram reintegrados mais de 1.550 ex-militares, por via dos Programas Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza e do Governo de Reforço Integrado. O Presidente prometeu a continuidade do processo de reintegração.

Cimento
O país conta, actualmente, com cinco unidades de produção de cimento, com uma capacidade de produção superior a oito milhões de toneladas de cimento e de cerca de seis milhões e meio de clínquer por ano, informou o Presidente da República.

Em ambos os casos, as capacidades instaladas satisfazem as actuais necessidades de consumo nacional. Para João Lourenço, há a referir a produção de outros materiais de construção, com destaque para o varão de aço, tubos metálicos, tintas e similares, cabos eléctricos e mosaicos, cuja produção não satisfaz ainda a grande procura.

Segundo o Presidente, têm estado, também, a ser implementados novos projectos de fabricação de detergentes e produtos de limpeza e desinfecção de alto consumo doméstico.


João Lourenço incentivou a construção de um novo Estado

O arcebispo da Igreja Católica em Saurimo, D.José Manuel Imbamba, considerou que o discurso do Presidente da República sobre o Estado da Nação foi uma retrospectiva sobre problemas candentes nos domínios político, económico, social e cultural, com justificações sobre os insucessos de vários programas inicialmente previstos, reflexo do impacto da crise económica e da pandemia da Covid-19.

D. Imbamba ressaltou que o pronunciamento do Chefe de Estado visou, também, incentivar os cidadãos a evidenciarem dinamismo para ajudar a construir um “Estado novo, assente num paradigma ético, de transparência e de integração de todos”.

O prelado católico entende que João Lourenço procurou dar justificações sobre o “alegado adiamento” das eleições autárquicas, embora reconheça que “por elas passa a resolução de muitos problemas que os cidadãos e comunidades enfrentam”.

O discurso, disse, apontou avanços no domínio da construção de projectos ligados à produção de energia, água e estradas, cuja solidez “impõe o rigor na fiscalização, por muitas destas estarem em execução há mais de 13 anos”.

O discurso, segundo o arcebispo, vai ajudar o cidadão a compreender “que país temos e a necessidade de ser construído com o apoio de todos”. Notou que, por inerência de funções, na repartição de responsabilidades, a fatia maior compete aos detentores do poder e gestores públicos, aos quais compete apresentar os resultados finais aos cidadãos.

Para o superintendente da Igreja Metodista Unida na Lunda-Sul, João Cahilo, o Presidente da República apresentou a realidade do país nos diferentes contextos e apelou à necessidade de cada angolano, sem excepção, assumir o papel de obreiro do desenvolvimento do país.

Adão Diogo | Saurimo

 

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