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21 partidos concorrem para acabar com a crise

Mais de 761 mil eleitores vão definir hoje nas urnas a configuração do novo Parlamento da Guiné-Bissau entre 21 partidos políticos concorrentes, depois de na sexta-feira a Comissão Nacional de Eleições (CNE) ter garantido que estão criadas as condições logísticas, humanas e financeiras para a realização do pleito.

10/03/2019  Última atualização 07H58
DR © Fotografia por: Guineenses escolhem os deputados à Assembleia Nacional Popular e o próximo Governo

Nesse mesmo dia, o Partido de Renovação Social (PRS) manifestou-se satisfeito com a revogação da decisão de incluir listas suplementares de pessoas recenseadas para votar, depois de ter denunciado anteriormente a ilegalidade daquela medida.

Para o PRS, este “sensato recuo” terá sido motivado pela chegada de observadores da comunidade internacional e pela denúncia por si feita à imprensa.
Na véspera, a CNE revogou a decisão de criar uma lista suplementar de votação para as pessoas que se recensearam, mas cujos nomes não constam nos cadernos eleitorais informatizados.
A decisão da CNE de autorizar as listas suplementares provocou várias reacções não só do PRS como também do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM), que consideraram a medida ilegal.
Ontem de manhã, o chefe da missão de observadores eleitorais da União Africana, Rafael Branco, disse esperar que as eleições decorram com “normalidade” e num “clima de paz e tranquilidade”. “A nossa expectativa é que decorram com normalidade, traduzam a vontade do povo da Guiné-Bissau e se desenrolem num clima de tranquilidade e paz social para que os resultados permitam ao povo dar início a mais uma página da sua história”, disse Rafael Branco, ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe (2008-2010), que lidera a missão da União Africana.
Por sua vez, o representante da União Africana em Bissau, o embaixador Ovídeo Pequeno, garantiu que a missão de observadores da União Africana vai permanecer na Guiné-Bissau até ao dia15 deste mês, altura em que já deverão estar proclamados os resultados finais das eleições legislativas.
As Nações Unidas disseram esperar que as eleições legislativas decorram em paz e de forma pacífica, segundo o representante especial do Secretário-Geral da ONU para a África Ocidental, Mohamed Ibn Chambas, que esteve três dias em Bissau para contactos com as autoridades guineenses, sociedade civil e partidos políticos, tendo dito à imprensa que aquilo que a ONU espera é que a Guiné-Bissau “possa atingir outro patamar” com as eleições legislativas, salientando que encontrou uma atmosfera pacífica e uma campanha eleitoral sem incidentes.
“Esta é uma oportunidade de a Guiné-Bissau mostrar ao mundo que o país é capaz de conduzir eleições pacíficas, transparentes e credíveis”, disse. A CNE garantiu na sexta-feira, em conferência de imprensa, que “estão reunidas as condições logísticas, humanas e financeiras para que as eleições legislativas decorram no dia previsto”, ou seja hoje.
“As autoridades nacionais, em colaboração com as forças de Manutenção da Paz na Guiné-Bissau da África Ocidental, vão garantir, na sua plenitude, a segurança do processo em toda a extensão do território nacional”, explicou José Pedro Sambú presidente daquele órgão.
Ontem de manhã, o Presidente José Mário Vaz inaugurou no sul do país uma interligação que permite transportar energia eléctrica produzida na barragem de Kaleta, na Guiné-Conacri, para o país, numa rede de interconexão de 218 quilómetros.
A linha de interconexão, que deverá estar pronta dentro de 24 meses, passará pelas localidades de Saltinho (sul) Banbadinca (leste), Mansoa (centro/norte) até chegar a Bissau, servindo todo o país, anunciou o ministro guineense dos Recursos Naturais e Energia, Serifo Embaló.
O projecto insere-se no âmbito da OMVG (Organização para Valorização da bacia do Rio Gâmbia, em sigla francesa), que agrupa a Guiné-Bissau, Senegal, Guiné-Conacri e Gâmbia.
O projecto, que vai ter uma linha de interconexão de 1.677 quilómetros, atravessando os quatro países, está orçado em 1,5 mil milhões de dólares.

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