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19 candidatos confirmados concorrem à Presidência

O Tribunal Constitucional (TC) de São Tomé e Príncipe confirmou as candidaturas dos 19 cidadãos que concorrem ao cargo de Presidente da República nas eleições de 18 de Julho.

21/06/2021  Última atualização 04H30
© Fotografia por: DR
"Pelo exposto, o Tribunal Constitucional decide: admitir as candidaturas à eleição do Presidente da República, a realizar no dia 18 de Julho de 2021 dos candidatos Abel Bom Jesus, Aurélio Martins, Carlos Agostinho das Neves, Carlos Vila Nova, Carlos Stock, Delfim Neves, Elsa Garrido, Elsa de Barros Pinto, Eugénio da Trindade Tiny", lê-se no acórdão.


A lista do TC publicada por ordem alfabética prossegue ainda com os nomes de Guilherme Posser da Costa, Jorge Amado, Júlio Silva, Manuel Vaz do Rosário, Maria das Neves, Miques Jesus Bonfim, Moisés Sacramento Viegas, Olinto Afonso das Neves, Roberto Sousa Ponte e Vítor Monteiro.


O presidente do Tribunal Constitucional disse, na sexta-feira que algumas ajudas financeiras e materiais de alguns países e organizações para as eleições presidenciais já começaram a chegar, destacando o apoio do Japão.
Na lista dos concorrentes, seis saem do principal partido do governo, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD).


Cinco concorrem como independentes e um, Posser da Costa tem apoio do partido.
Do principal partido da oposição, Ação Democrática Independente (ADI), concorrem também três candidatos, um dos quais, Carlos Vila Nova com o apoio do partido.


O Movimento Democrático Força de Mudança (MDFM), também no actual Governo em coligação com outras duas formações políticas, concorre às presidenciais também com três candidatos. O Partido Verde, sem assento parlamentar, tem dois candidatos.
São Tomé e Príncipe tem eleições presidenciais marcadas para 18 de Julho próximo, as sétimas desde a abertura democrática em 1992.


Proibidos comícios durante a campanha

O Governo são-tomense proibiu a realização de comícios e grandes aglomerações no período da campanha eleitoral, como forma de se evitar contágio da Covid-19.
De acordo com o secretário de Estado para Comunicação Social, Adelino Lucas, o Executivo orientou que nestas eleições presidenciais ficam proibidas a realização dos comícios, grandes comícios e grandes aglomerações de pessoas.

A decisão foi tomada tendo em conta a proposta dos técnicos da Saúde que permite, sim, passeatas dos candidatos, mas sempre no quadro das regras sanitárias, como o uso obrigatório das mascaras, sobretudo por parte dos candidatos e dos eleitores bem como a regra de distanciamento e de lavagem das mãos.

Esta decisão do Governo surgiu como uma autêntica resposta a preocupação levantada pelo Presidente da República, Evaristo Carvalho que manifestou inquietação face as acções de alguns pré-candidatos pondo em risco a uma susceptível contaminação em massa.

Tendo-se referido a existência de um Plano de Segurança Pública já pré-elaborado pelas entidades sanitárias do país face ao período eleitoral, Adelino Lucas anunciou também o envolvimento da Comissão Eleitoral neste processo sobretudo numa parceria directa com as candidaturas às presidenciais.


 Garantido debate na imprensa

As autoridades são-tomenses equacionam medidas visando a participação de candidatos em debates prévios na Imprensa Estatal.
O chefe da divisão de Informação da Rádio Nacional de São Tomé e Príncipe, o jornalista Maximino Carlos garantiu que o debate para as eleições presidenciais vai envolver acesso a Rádio e a Televisão estatais de modo que os candidatos consigam transmitir ao eleitorado o seu "Projecto de Sociedade”, após serem confirmados pelo Tribunal Constitucional.


"À luz da Lei e como é habitual, no quadro de aprofundamento da democracia, as autoridades vão viabilizar os principais meios de Comunicação Social, nomeadamente, a Rádio e Televisão Nacionais para que os nossos concidadãos conheçam a agenda de cada candidato”, adiantou.


Maximino Carlos, admitiu que contrariamente aos anos anteriores, o debate dos candidatos poderá vir a levantar alguns constrangimentos no formato devido o número considerado excessivo dos potenciais cidadãos que concorrem a estas eleições.


Concorrem ao pleito são-tomenses cidadãos com mais de 35 anos, idade fixada pela Lei para nacionais de ambos sexos para terem acesso à candidatura.


Destas pessoas, que dispõem unicamente de nacionalidade são-tomense, destacam-se algumas figuras de peso originários de alguns partidos mais acentuados do país como o ADI (na oposição) que apoia Carlos Vila Nova, Guilherme Pósser que é apoiado pelo MLSTP (no Poder em coligação) e Delfim Neves, apoiado pelo PCD (no Poder em coligação), Carlos Neves líder da União MDFM-UDD.


Maria das Neves, antiga Primeira-Ministra, Elsa Pinto, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros, Jorge Amado e Aurélio Martins, antigo e ex-líder do MLSTP e Vítor Monteiro, deputado e coronel na Reserva.


IMAGEM DE MARCA DO CANDIDATO DO MLSTP/PSD

Guilherme Posser da Costa, candidato suportado pelo MLSTP-PSD, partido no poder em coligação, aposta na estabilidade política e na governabilidade do país como imagem de marca da sua candidatura.


 "Quero que seja uma marca da minha magistratura enquanto Presidente da República, irei pugnar pela estabilidade política e a governabilidade”, disse, numa entrevista à Lusa, o candidato.

"Eu procurarei ser um Presidente-árbitro, que procura consensos. Serei um Presidente que tentará utilizar o diálogo até à exaustão para resolver os problemas que eventualmente possam surgir no relacionamento dos diferentes órgãos de soberania, porque acredito que a garantia da estabilidade política e da governabilidade são duas condições fundamentais para podermos garantir a tranquilidade e a confiança necessárias, quer para os nossos cidadãos, quer para os nossos parceiros de desenvolvimento, quer inclusive para a atracção de investimentos”, sustentou Posser da Costa.


Perante uma "crise política verdadeira” – em contraste com "muitas delas, que são só crises artificiais, movidas por estratégias partidárias” -, o Presidente da República deve ter "uma actuação proactiva”, promovendo o diálogo e transmitindo "o perfeito conhecimento das competências de cada um dos órgãos”. "Por isso, o slogan da minha campanha é ‘Harmonia e Progresso’. É absolutamente essencial que haja uma maior coesão social para que se crie um clima mais amplo de estabilidade”, sustentou.


Antigo Primeiro-Ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, entre outros cargos, Posser da Costa, 67 anos, dedicou os últimos 20 anos da sua vida à advocacia.


Uma "verdadeira reforma da Justiça” é, também, uma das prioridades da candidatura de Posser da Costa. "Os são-tomenses não confiam muito na Justiça. Acham que a Justiça ainda é um bocado discriminatória e só é feita para os mais pobres e os mais ricos conseguem passar pela malha dela e continuam a cometer os crimes, impunes”, considerou.


Presidente do Parlamento justifica entrada na corrida


O presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, Delfim Neves, justificou a sua candidatura às eleições de Julho com a intenção de "unir os são-tomenses” e acabar com "dez anos” de "divisão da sociedade”.
"Achei por bem participar nestas eleições porque entendo que um dos papéis principais do Presidente da República é efectivamente unir o seu povo, unir a nação, fazer com que o povo se entenda”, relatou.



Um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento de São Tomé e Príncipe é a "divisão da sociedade”, sustentou, considerando que a "irmandade e solidariedade” que caracterizavam o povo são-tomense perderam-se "nos últimos dez anos”.

Delfim Neves defende que os políticos são-tomenses, independentemente das diferentes opções, têm "um partido comum, que se chama São Tomé e Príncipe.


O  Partido de Convergência Democrática (PCD), ao qual integra uma coligação conhecida como a "Nova maioria", constituída pelo Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), União dos Democratas para a Cidadania e Desenvolvimento de Mudança (UDD) e Movimento Democrático das Forças da Mudança (MDFM), que suporta no Parlamento o Governo dirigido por Jorge Bom Jesus desde as legislativas de 2018, vencidas pela Acção Democrática Independente (ADI), de Patrice Trovoada, então no poder, mas que não conseguiu formar Executivo.

Cerca de dois anos e meio depois, Delfim Neves faz um balanço positivo desta "geringonça são-tomense".

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