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18 candidatos disputam cadeirão da Presidência em São Tomé

Um total de 18 candidatos recorreram ao Tribunal Constitucional (TC) para formalizarem candidaturas para concorrer as eleições presidenciais de 18 de Julho próximo em São Tomé e Príncipe, estando a dupla nacionalidade constitucionalmente proibida entre os pretendentes a serem eleitos, disse, ontem à Lusa, fonte judicial.

05/06/2021  Última atualização 07H05
O país regista recorde de candidatos às presidenciais entre os quais 15 homens e três mulheres © Fotografia por: DR
"Estamos a verificar toda a documentação, é um processo que está a dar algum trabalho, por causa do número de pré-candidatos que entregaram documentos, mas tudo faremos para que dentro do prazo previsto na lei possamos publicar a lista nominal provisória já esta sexta-feira” (ontem), disse a fonte. Questionado sobre a possibilidade de haver alguma candidatura que possa ser chumbada, a fonte garantiu apenas que "tudo dependerá, só no final de ser conferida toda a documentação é que se pode saber”.

"Se os documentos não forem comprovados, não teremos qualquer dificuldade em rejeitar as candidaturas”, acrescentou fonte do TC. Dupla nacionalidade é um "factor de impedimento”, segundo a fonte, porque "a lei não permite”.
Três candidatos que concorrem a estas eleições tiveram de renunciar à nacionalidade portuguesa, designadamente Delfim Neves, actual presidente da Assembleia Nacional, desde 2011, e Guilherme Posser da Costa e Carlos Vila Nova, ambos em 29 de Abril deste ano.

"Vamos produzir duas decisões onde constam eventuais irregularidades, notificamos os candidatos para supri-las e depois publicamos uma lista definitiva”, explicou, sublinhando que "há a questão de nacionalidade de origem, que vai ser muito discutida”.
Dos 18 candidatos que entregaram documentos no Tribunal Constitucional para formalização de candidaturas, seis saem das fileiras do principal partido do Governo, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) e três do principal partido da oposição, a Ação Democrática Independente (ADI).

Três outros saem da coligação Movimento Democrático Força da Mudança - União para Democracia e Desenvolvimento (MDFM/UDD), também no actual Governo do Primeiro-Ministro Jorge Bom Jesus. O actual Presidente, Evaristo Carvalho, eleito em 2016 com o apoio da ADI, cumprirá apenas um mandato, depois de ter decidido não se recandidatar.

Ajuda internacional
O Governo são-tomense apelou à ajuda internacional para organizar a eleição presidencial prevista para 18 de Julho por não ter dinheiro e advertiu que um eventual adiamento pode provocar instabilidade política e convulsão social.
O pedido e o alerta foram feitos pelo ministro da Defesa e Administração Interna, Óscar Sousa, numa reunião, realizada há duas semanas com os embaixadores estrangeiros residentes no país.
"Estamos com inúmeras dificuldades materiais e financeiras para garantir a realização deste acto eleitoral”, afirmou, na altura, Óscar Sousa, quem deixou saber aos diplomatas estrangeiros que a não realização das eleições presidenciais pode provocar "instabilidade política e convulsão social”.

O Governo afirmou que já gastou cerca de um milhão de dólares com o recenseamento dos eleitores dentro e fora do país e que vai necessitar de mais dinheiro para a eleição presidencial.
O analista Liberato Moniz diz que esta proliferação de candidatos à Presidência da República num país de 1001 quilómetros quadrados e cerca de 200 mil habitantes só demonstra o descrédito em relação a quem ocupa os cargos

 "O problema é que hoje, em São Tomé e Príncipe, as pessoas pensam que estar no poder não é para fazer nada. Por isso, qualquer um entende que pode ocupar qualquer função no país, até o cargo de Presidente da República, porque já sabem que é para não fazer nada”, diz o analista.
Pelo número de candidatos dos principais partidos do país, Moniz acredita que essas eleições terão uma segunda volta.
O recenseamento eleitoral no território nacional e em 11 países onde vivem são-tomenses terminou no passado dia 25 de Maio.

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